segunda-feira, 30 de julho de 2012

O BARBICHINHA


Manja o tipo Pagodeiro?
Cabelinho moldado no gel, corrente dourada no pescoço, regata e bermuda, meia soquete e tênis (supostamente) de marca?
Então.... tinha um apelido semelhante a Barbichinha.
Chamavam ele desta forma porque o pai era chamado por todos de Barbicha... logo...
Vamos chama-lo assim.
Ele foi apresentado por amigos em comum, que sabiam da minha extrema carência.
Quando estamos assim, carentes, nos propomos a experimentar diferentes realidades.
E foi o que eu fiz.
Barbichinha devia ser uns 10 anos mais novo do que eu. 
Mas bebia como se tivesse 10 anos a mais.
Fomos a um desses botecos bastante... botecos. Desses sem o menor glamour.
A noite foi passando e era impressionante a capacidade que o Barbichinha tinha de falar extremamente alto e sozinho.
Resolvemos finalizar o encontro com a saidera. (Sim, eu ainda enfrentei a saidera.)
O que eu não imaginava era que num lapso de romantismo ele se disporia a me levar em casa.
Feliz e aliviada fui orgulhosa até o carro dele.
Cheguei e me deparei com um desses carros que não se sabe se existem rodas, de tão rebaixado que era. E não havia espaço para mais do que duas pessoas, devido ao tamanho do som que o Barbichinha tinha instalado naquele veículo.
Me deu medo.
Assim que o carro ligou entendi... nunca, na minha vida inteira, nem nos meus shows de rock mais pesados eu tinha ouvido uma música tão alta! 
Agora sim eu entendia o porque que o Barbichinha falava tão alto. Devia ter a audição comprometida pela quantidade de decibéis por metro quadradro daquele carro.
A música? Sertanejo. (Será que funk seria pior?)
Fui rumo a minha casa, como se derretendo no banco do passageiro, não sei se de vergonha ou pela vibração do som.
Me lembro de roer minhas unhas nesse momento, como se buscando algo de familiar naquilo tudo, como se buscasse algum prazer naquilo tudo,  ou simplesmente porque aquilo tudo estava fora do meu controle.
Mas o Barbichinha estava orgulhoso!
Chegamos na minha casa e ele quis por que quis guardar sua preciosadade na minha minúscula garagem, onde já estava o meu carro.
Disse que não precisava, que já estava tarde, que eu agradecia e que ele poderia ir... até outro dia, Querido Barbichinha.
Mas ele sismou.
De fato não queria ficar comigo... era nítido que tinha sido acometido de um súbido pavor de levarem o “my precious” dele, mesmo que fosse por alguns minutos na frente da minha casa.
Tanto Barbichinha fez, que eu, possuida por uma birra louca, ou pela instabilidade emocional que o som dele tinha me causado, que disse:
“OK. Quero  ver você fazer seu carro entrar na minha garagem!”
Sim, quando nos vemos em situações bizarras, agimos da mesma forma!
O que se passou a seguir foi semelhante a colocar um Leão Africano da Savana numa caixa de fósforos. Até a pequena mesa que tenho na caragem foi parar no meio do quintal. A minha cachorra, que nunca tinha visto um carro como aquele, latia desesperadamente como que dizendo: “NÃO CABE, NÃO CABE! JÁ É APERTADO DEMAIS PARA MIM E O CARRO DELA. SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ???”
O carro não coube. Então Barbichinha finalmente entregou os pontos. Tirou o carro da garagem, e depois dessa odisséia, se foi.
Assim. Desse jeito mesmo.
Nem me deu um beijo de despedida.
Me deu uma buzinadinha de despedida, o que para ele deve significar muito.
Eu ali fiquei por alguns segundos parada, embasbacada, sem entender... um enorme silêncio se fez presente. Até a cachorra não se manisfestou mais.
E eu sozinha, com o portão aberto na madrugada.
Depois de tudo, ele nem sequer havia me esperado fechar o portão?
Não soube mais do Barbichinha.
E até hoje me mantenho longe de carros rebaixados.

terça-feira, 24 de julho de 2012

PORQUE "UNHAS" E O FRANCÊS

“Roer unhas (também conhecido pelo seu termo técnico onicofagia ou roeção de unha) é o hábito de morder as unhas dos dedos das mãos ou pés durante períodos de nervosismo, ansiedade, stress, fome ou tédio. Também pode ser um sinal de desordens mentais ou emocionais. As crianças começam a roer as unhas por volta dos quatro ou cinco anos de idade. O termo onicofagia crônica é utilizado clinicamente.” – Wikipédia

Já tentei de tudo: Pimenta nos dedos, esmalte com sabor de cocô, já me estapeei que nem louca varrida cada vez que me pegava com a mão na boca, já encapei os dedos com micropore, esparadrapo e band aid, já fiz promessa. Comecei por volta dos 4 anos de idade sim. Estou com 32 anos. Meu caso é crônico. Não a desordem mental... o roer unhas!! Acho que nunca vou parar de fato. Existem períodos controlados. Mas basta algo sair do meu controle e PUMBA! Lá se vão elas, e os esmaltes, e as mãos de mulher. Fico com vergonha... quando tenho que pegar alguma coisa na frente de alguém, escondo os dedos, com essas unhinhas minúsculas. Ainda sim, quando eu vejo a mão já foi pra boca e lá estou eu, mergulhada num enorme prazer de acabar com qualquer lasquinha que possa existir! Agora mesmo.... escrevo, e nas pausas para ler o que está aqui para vocês, acabo com mais uma delas.

A partir de agora, divido com vocês a razão pelas quais elas não conseguem crescer!
Rir de si mesmo é uma arte. Dividir a piada é terapeutico.

E NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS DE SOLTERISSE FORÇADA...

O FRANCÊS


Ele foi o primeiro.

Foi numa balada.
Num daqueles dias que eu me sentia feliz, bonita, e se não me engano, com unhas.
Ele apareceu de repente e nem me lembro como foi a apresentação.
Achei que eu não tinha entendido o que ele estava me falando pelo volume do som.
Mas não... era francês.
Com o passar do tempo, entre uma química que só poderia ter vindo de um lugar muito distante, fui duvidando um pouco daquele sotaque. Mas pelo nome do rapaz, (tinha nome de animal de estimação) e pelo narigão vestido por um óclinhos estilo John Lennon, era nítido que não era daqui. Seus amigos falavam com ele com um dialéto que definitivamente não era francês... mas voilà!
Isso nem me interessava de fato.
O jeitinho gringo era irresistível... e ele tinha uma beleza bastante exótica.
Eu estava no lucro.
Ele me mostrou que minha insegurança de recém separada era infundada e que sim, eu era, num jeitinho comovente de falar, “uma murrér de ólios grrandes lindos e de bela forrma”.
No dia seguinte nos despedimos.
Com um beijo de filme europeu.
E ele com meu nome, para adicionar no Facebook, e meu telefone.
Ele queria ficar mais tempo comigo. Eu tinha que ir.
Esperei alguns dias algum sinal de fumaça.
Minhas unhas foram aos poucos se despedindo.
Nunca mais soube desse suposto francês, que tinha o nome do gato da minha mãe.