Eu estava com uma amiga dentro do carro dela,
indo tomar um café rotineiro no meio da tarde quando ela passou por ele e
buzinou. Deu um breve tchau e mandou um beijo. Ele retribuiu.
Era primo dela, ela esclareceu.
Foi um daqueles momentos onde, nos filmes, tocam os sininhos e depois a cena se repete em câmera lenta mais algumas vezes no decorrer do mesmo.
Lindo. Lindo de verdade. Não dessas belezas em que
a pessoa tem que se esforçar para ficar bonita. Não era a roupa, não era o
cabelo. Era ele!
Como a cena se deu em câmera lenta mais algumas
vezes no meu cinema mental, sabia que ele estava, inclusive, vestido de maneira
bastante esculachada para os padrões atuais da moda.
Mas como era bonito...
Pedi para minha amiga me apresentar.
Ela não se aprofundou no assunto e o tempo foi
passando.
Achei o Sr Whisky no Facebook e passei a
conhece-lo dessa maneira.
E foi nessas visitas que eu percebia o quanto
tínhamos em comum.
O mundo virtual nos permite essas insensatezes.
Pedi para minha amiga me apresenta-lo mais
algumas vezes.
Certa vez lembro-me dela dizer que ele não era um cara para mim,
porque ele era “muito livre”.
Isso me soou perfeito!
Acho que a maior lição que tiro depois da minha
separação é que o amor é livre, e duas pessoas só podem estar juntas e felizes
se podem ser livres, principalmente para serem elas mesmas. Estar com o outro é
o maior exercício de liberdade que devemos nos proporcionar. (Pensem nisso!)
Voltando ao Sr Whisky...
Passei um ano pensando nele. Um ano inteiro.
Obviamente que não passei esse um ano casta, mas
essas são outras histórias que devo postar mais tarde.
Um belo dia, ou melhor, uma bela noite, resolvi bater
um papo reto com Deus.
Farei aqui um resumo, porque todo papo reto com
Deus dura um bom tempo, mas na minha oração eu disse:
“Senhor, (longuíssima introdução!) (Longuíssima explicação!) O Senhor
poderia me dizer por que cargas d’água eu não encontro com o Sr Whisky, por
exemplo? O Senhor sabe que penso nele por mais de um ano. Senhor meu Pai...
ponha o Sr Whisky na minha frente, por favor! (Longuíssima finalização!) Amém”.
No dia seguinte tinha combinado de ir a um
barzinho com um casal de amigos para assistir á final do jogo do Timão. (Não
iremos aqui discutir futebol, por isso me dou ao direito de chamar meu
Corinthians assim, e creio que não perderei leitores por conta disso!)
Eu fui bonita. Fui bonita para mim. Acho que tinha até unhas compridas!
Na mesa ao lado tinham umas pessoas, e um dos
caras da mesa atendeu ao telefone. Ele falava bastante alto, por isso pude
rapidamente perceber que ele estava falando com o Sr Whisky! Tive certeza
quando ele comentou sobre uma foto com pinta de modelo que ele tinha postado!
Rapidamente entrei em contato com o Divino:
“Senhor, eu disse que queria ele ao meu lado...
mas eu me referia a ele pessoalmente, e não ao telefone. Por favor Senhor,
traga ele aqui!”
O rapaz desligou o telefone e eu fiquei a espera.
E ele apareceu.
Nesse momento eu falei com Deus de novo:
“Valeu, Senhor! Deixa que agora eu faço minha
parte!”
Ao vivo era exatamente a representação da cena em
câmera lenta que eu vi e revi ao longo de um ano todo.
Fingi que não me importei, mas quando nossos
olhares se cruzaram pela primeira vez, ele abriu um lindo sorriso e veio em
minha direção.
Um oi aconteceu... não sei quem falou primeiro.
Só sei que eu fiz uma cara de “te conheço de algum lugar” (Ah tá, cê jura???) e disse:
“Você não é o Sr Whisky?”
(Nessa hora eu acho que Deus deve ter falado: “É
claro que é, Menina... não era por causa dele que você não me deixava em
paz???)
E ele respondeu:
“Sim, sou eu. E você é a Ju Paié!”
Não é incrível??
Ele sabia quem eu era. Tinha me visto pelo
Facebook, imagino eu. Ou a prima dele tinha falado de mim. De um jeito ou de outro, ele sabia quem eu era.
Ao longo da noite batemos papo. E era fato que
estávamos felizes por finalmente estarmos conversando. Ele me abraçou algumas
vezes. Umas duas, talvez.
Aquela atmosfera de felicidade e excitação (e
aqui digo excitação não como conotação sexual, mas como conotação de
alegria-extrema-que-não-cabe-no-peito) foi tomando conta de mim, por causa do jogo, por causa dele.
Ele passou a noite tomando Whisky. Acreditem em mim quando eu digo que a bebida diz muito sobre a pessoa. Sem maiores dissertações sobre o tema, agora vocês já sabem porque eu o chamei assim.
Eu tomei cerveja. Me presenteei com uma Norteña... forte, encorpada, e só para ocasiões especiais. (Viu como a bebida diz muito sobre quem a escolhe? rs!)
No fim da noite eu já estava, com o perdão da
expressão, chamando Jesus de Genésio!
Meu casal de amigos foi embora, e eu fiquei lá
com ele.
Tenho uma vaga lembrança do que conversamos.
Tenho uma vaga lembrança de quanto tempo durou. Mas até esse ponto acho que eu
estava me comportando, porque ele se prontificou a me acompanhar até o carro.
Agora é que começa!
Sabe quando as mulheres reclamam que muitos
homens tem uma conduta abusada logo no primeiro encontro? São aqueles caras que
ficam te pegando, te cheirando, forçando a barra e avançando o sinal a 220 km
por hora... São aqueles tipos que não se importam muito se estão sendo invasivos. Geralmente o são e provavelmente não percebem que passam dos limites. Uma conduta bastante macho-cho, eu diria! (E porque não dizer também, uma conduta bastante chata-ta na maioria das vezes!)
Pois é, meu povo!
Esse cara não foi ele
não.
Fui eu! (Agora é o momento em que vocês abrem a boca e ficam de queixos caídos. E posso até ouvir algum de vocês dizendo: "FALA SÉRIO!")
Sim, eu fui a abusada.
E ele resistiu... ou talvez definitivamente não
tenha se sentido em absoluto confortável com minhas mãos de polvo!
Deus deve ter tido um siricutico nesse momento! Deve ter balançado os braços e com a mão característica de um Italiano deve ter gritado:
"PELO AMOR QUE VOCÊ TEM A MIM!! O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO??"
Depois deve ter choramingado: "Minha filha... não sabe brincar, não desce para o Play!"
Fui para casa, e a pedido dele, (dele Sr Whisky, não o Senhor Deus!) mandei uma
mensagem dizendo que tinha chegado bem. E completei com um “queria que você
estivesse aqui!”
No dia seguinte acordei e tive uma baita
ressaca... moral!
Entrei na internet, adicionei ele no Facebbok, e
deixei a seguinte mensagem inbox:
(E a mensagem foi exatamente essa... o chamei de
verdade de Sr Whisky!)
Ei Sr Whisky!
Tô com a sensação de que ontem acabei sendo saidinha por demais contigo. Mas acredite, consigo ser mais comportada (acho! rs!).
Desculpa se fui invasiva, tá? Ponho a culpa na bebedeira.
De qualquer maneira, me diverti muito!!!! Tu é um cara legal!
Beijo Grande,
Senhorita Norteña
Tô com a sensação de que ontem acabei sendo saidinha por demais contigo. Mas acredite, consigo ser mais comportada (acho! rs!).
Desculpa se fui invasiva, tá? Ponho a culpa na bebedeira.
De qualquer maneira, me diverti muito!!!! Tu é um cara legal!
Beijo Grande,
Senhorita Norteña
Ele nunca me respondeu.
Nunca mais nos falamos ou nos vimos.
Deveria ter dito que talvez a culpa do meu avanço
de sinal tenha sido porque eu tinha esperado por aquele momento por um ano, e
que minha ansiedade e sede por ele saiu de uma só vez, e não na medida?
Acho que não... nada justifica um "pega aqui" fora de hora!
Acho que não... nada justifica um "pega aqui" fora de hora!
O fato é que, esse é o tipo da situação que qualquer um pode passar.
Se é que já não passou.
Se é que já não passou.
Shit happens!
E já diria meu querido Forrest Gump:
"E isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso."
"E isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso."