segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SR WHISKY

A primeira vez que eu vi o Sr Whisky foi de sopetão.
Eu estava com uma amiga dentro do carro dela, indo tomar um café rotineiro no meio da tarde quando ela passou por ele e buzinou. Deu um breve tchau e mandou um beijo. Ele retribuiu.
Era primo dela, ela esclareceu.
Foi um daqueles momentos onde, nos filmes, tocam os sininhos e depois a cena se repete em câmera lenta mais algumas vezes no decorrer do mesmo.
Lindo. Lindo de verdade. Não dessas belezas em que a pessoa tem que se esforçar para ficar bonita. Não era a roupa, não era o cabelo. Era ele!
Como a cena se deu em câmera lenta mais algumas vezes no meu cinema mental, sabia que ele estava, inclusive, vestido de maneira bastante esculachada para os padrões atuais da moda.
Mas como era bonito...
Pedi para minha amiga me apresentar.
Ela não se aprofundou no assunto e o tempo foi passando.
Achei o Sr Whisky no Facebook e passei a conhece-lo dessa maneira.
E foi nessas visitas que eu percebia o quanto tínhamos em comum.
O mundo virtual nos permite essas insensatezes.
Pedi para minha amiga me apresenta-lo mais algumas vezes. 
Certa vez lembro-me dela dizer que ele não era um cara para mim, porque ele era “muito livre”. 
Isso me soou perfeito!
Acho que a maior lição que tiro depois da minha separação é que o amor é livre, e duas pessoas só podem estar juntas e felizes se podem ser livres, principalmente para serem elas mesmas. Estar com o outro é o maior exercício de liberdade que devemos nos proporcionar. (Pensem nisso!)
Voltando ao Sr Whisky...
Passei um ano pensando nele. Um ano inteiro.
Obviamente que não passei esse um ano casta, mas essas são outras histórias que devo postar mais tarde.
Um belo dia, ou melhor, uma bela noite, resolvi  bater um papo reto com Deus.
Farei aqui um resumo, porque todo papo reto com Deus dura um bom tempo, mas na minha oração eu disse:
“Senhor, (longuíssima introdução!) (Longuíssima explicação!) O Senhor poderia me dizer por que cargas d’água eu não encontro com o Sr Whisky, por exemplo? O Senhor sabe que penso nele por mais de um ano. Senhor meu Pai... ponha o Sr Whisky na minha frente, por favor! (Longuíssima finalização!) Amém”.
No dia seguinte tinha combinado de ir a um barzinho com um casal de amigos para assistir á final do jogo do Timão. (Não iremos aqui discutir futebol, por isso me dou ao direito de chamar meu Corinthians assim, e creio que não perderei leitores por conta disso!)
Eu fui bonita. Fui bonita para mim. Acho que tinha até unhas compridas!
Na mesa ao lado tinham umas pessoas, e um dos caras da mesa atendeu ao telefone. Ele falava bastante alto, por isso pude rapidamente perceber que ele estava falando com o Sr Whisky! Tive certeza quando ele comentou sobre uma foto com pinta de modelo que ele tinha postado!
Rapidamente entrei em contato com o Divino:
“Senhor, eu disse que queria ele ao meu lado... mas eu me referia a ele pessoalmente, e não ao telefone. Por favor Senhor, traga ele aqui!”
O rapaz desligou o telefone e eu fiquei a espera.
E ele apareceu.
Nesse momento eu falei com Deus de novo:
“Valeu, Senhor! Deixa que agora eu faço minha parte!”
Ao vivo era exatamente a representação da cena em câmera lenta que eu vi e revi ao longo de um ano todo.
Fingi que não me importei, mas quando nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, ele abriu um lindo sorriso e veio em minha direção.
Um oi aconteceu... não sei quem falou primeiro. Só sei que eu fiz uma cara de “te conheço de algum lugar” (Ah tá, cê jura???) e disse:
“Você não é o Sr Whisky?”
(Nessa hora eu acho que Deus deve ter falado: “É claro que é, Menina... não era por causa dele que você não me deixava em paz???)
E ele respondeu:
“Sim, sou eu. E você é a Ju Paié!”
Não é incrível??
Ele sabia quem eu era. Tinha me visto pelo Facebook, imagino eu. Ou a prima dele tinha falado de mim. De um jeito ou de outro, ele sabia quem eu era.
Ao longo da noite batemos papo. E era fato que estávamos felizes por finalmente estarmos conversando. Ele me abraçou algumas vezes. Umas duas, talvez.
Aquela atmosfera de felicidade e excitação (e aqui digo excitação não como conotação sexual, mas como conotação de alegria-extrema-que-não-cabe-no-peito) foi tomando conta de mim, por causa do jogo, por causa dele.
Ele passou a noite tomando Whisky. Acreditem em mim quando eu digo que a bebida diz muito sobre a pessoa. Sem maiores dissertações sobre o tema, agora vocês já sabem porque eu o chamei assim.
Eu tomei cerveja. Me presenteei com uma Norteña... forte, encorpada, e só para ocasiões especiais. (Viu como a bebida diz muito sobre quem a escolhe? rs!)
No fim da noite eu já estava, com o perdão da expressão, chamando Jesus de Genésio!
Meu casal de amigos foi embora, e eu fiquei lá com ele.
Tenho uma vaga lembrança do que conversamos. Tenho uma vaga lembrança de quanto tempo durou. Mas até esse ponto acho que eu estava me comportando, porque ele se prontificou a me acompanhar até o carro.
Agora é que começa!
Sabe quando as mulheres reclamam que muitos homens tem uma conduta abusada logo no primeiro encontro? São aqueles caras que ficam te pegando, te cheirando, forçando a barra e avançando o sinal a 220 km por hora... São aqueles tipos que não se importam muito se estão sendo invasivos. Geralmente o são e provavelmente não percebem que passam dos limites. Uma conduta bastante macho-cho, eu diria! (E porque não dizer também, uma conduta bastante chata-ta na maioria das vezes!)
Pois é, meu povo!
Esse cara não foi ele não.
Fui eu! (Agora é o momento em que vocês abrem a boca e ficam de queixos caídos. E posso até ouvir algum de vocês dizendo: "FALA SÉRIO!")
Sim, eu fui a abusada.
E ele resistiu... ou talvez definitivamente não tenha se sentido em absoluto confortável com minhas mãos de polvo!
Deus deve ter tido um siricutico nesse momento! Deve ter balançado os braços e com a mão característica de um Italiano deve ter gritado:
"PELO AMOR QUE VOCÊ TEM A MIM!! O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO??"
Depois deve ter choramingado: "Minha filha... não sabe brincar, não desce para o Play!"
Fui para casa, e a pedido dele, (dele Sr Whisky, não o Senhor Deus!) mandei uma mensagem dizendo que tinha chegado bem. E completei com um “queria que você estivesse aqui!”
No dia seguinte acordei e tive uma baita ressaca... moral!
Entrei na internet, adicionei ele no Facebbok, e deixei a seguinte mensagem inbox:
(E a mensagem foi exatamente essa... o chamei de verdade de Sr Whisky!)

Ei Sr Whisky!
Tô com a sensação de que ontem acabei sendo saidinha por demais contigo. Mas acredite, consigo ser mais comportada (acho! rs!).
Desculpa se fui invasiva, tá? Ponho a culpa na bebedeira.
De qualquer maneira, me diverti muito!!!! Tu é um cara legal!
Beijo Grande,
Senhorita Norteña

Ele nunca me respondeu.
Nunca mais nos falamos ou nos vimos.
Deveria ter dito que talvez a culpa do meu avanço de sinal tenha sido porque eu tinha esperado por aquele momento por um ano, e que minha ansiedade e sede por ele saiu de uma só vez, e não na medida?
Acho que não... nada justifica um "pega aqui" fora de hora!

O fato é que, esse é o tipo da situação que qualquer um pode passar. 
Se é que já não passou.
Shit happens!
E já diria meu querido Forrest Gump:
"E isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso."



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O ZONA SUL


Por causa desta história fiquei absolutamente cotoca de unhas.
Já o conhecia há alguns anos. Ele era ex marido de uma amiga, mas na realidade nunca fomos de fato próximos. Depois da separação deles perdemos contato.
Muito anos se passaram até o reencontro, que se deu de forma virtual.
As nossas primeiras conversas aconteceram de maneira despretensiosa e eu confesso que até me espantava com o tamanho do carinho que ele dizia sentir por mim.
Conforme o tempo foi passando, os bate papos passaram a durar horas... também trocamos telefones, e a coisa toda fluia como um rio sem pedras.
Ficamos nessa por um bom tempo.
Um dia, em uma visita a São Paulo, decidimos nos encontrar.
Fomos a um café na Zona Sul.
Quando o encontrei fiquei ainda mais embasbacada...Não me lembrava dele tão bonito! Um homem maduro, e estava absolutamente bem vestido para a noite de frio que fazia. E cheiroso. Escolheu para mim o chocolate que eu deveria beber. Era divino. (Agora estou falando do chocolate!)
Conversamos numa atmosfera quase sensual.
Eu também estava me sentindo no mínimo interessante naquela ocasião.
Nos despedimos com um forte abraço, desses que você fica sentindo o outro e poderia ficar ali caso o mundo fosse terminar em trancos e barrancos.
No dia seguinte o tom da conversa já era outro.
Eu estava em um trabalho e nas minhas pausas, entrava na internet para poder falar com ele. E ele me dizia coisas como: “Fui dormir ontem com seu cheiro”, “preciso te ver de novo”, “Pequena, como você é linda...”
As piadinhas com conotação sexual estavam quase pulando das telas de nossos computadores. Não podíamos mais esperar.
Então nos encontramos novamente, dois dias depois do nosso primeiro encontro.
Desta vez em um barzinho na Zona Sul. Charmoso... o barzinho. Ele também, não podemos tirar seu mérito!
Desta vez ele escolheu a cerveja.
Não sou muito fã de cerveja preta, mas estava frio, então achei que poderia ser uma boa pedida!
Depois de algumas, vendo que o flerte não desenvolvia, eu, como uma mulher de atitude que sou, (e volto a dizer que ainda não sei se isso é uma vantagem!) peguei em sua mão e fui me aproximando lentamente de seu rosto, com um sorriso disponível, e quando eu estava pronta para beija-lo, ele suavemente disse: “Não faça isso!”
Por alguns segundos tive uma sensação de surdez!
Só consegui perguntar: “Oi?”
Ao que ele repetiu: “NÃO FAÇA ISSO!”. Desta vez em tom mais lento, quase explicativo.
E então, vendo que de fato não era para beija-lo, fiz a pergunta certa: ”Porque??”
E ele não me explicou. Disse apenas que ele já tinha ficado com uma amiga e que o caso não tinha dado nada certo. E eu ali, sem entender, comecei a perguntar coisas para ele, que devido a situação eram perguntas bastante honestas e coerentes, ao meu ver. E já que éramos amigos, aí sim é que eu me dava ao direito de perguntar. “Eu entendi errado?”, eu perguntava. E ele não me respondia. “Eu fiz alguma coisa?”, e ele não me respondia. E quanto mais eu perguntava, menos ele me respondia. E ele foi ficando irritado. E eu resolvi reverter a situação. Lembro-me claramente de dizer:  “Quer saber, deixa isso pra lá. Se você não quer me explicar eu não vou ficar querendo entender. Vamos curtir a noite que foi para isso que viemos!”
E aos poucos o estranhamento foi indo embora e a gente voltou a dar muita risada, a conversar, a brincar, como se nada tivesse de fato acontecido.
E continuamos na cerveja preta no barzinho da Zona Sul.
Ele tinha no lugar alguns amigos que lá trabalhavam, e logo eu já estava integrada na turma. No fim da noite o bar fechou, mas continuávamos lá dentro, os novos velhos amigos, eu, no colo dele, batendo papo. Uma amiga (nossa?) perguntou se eu era sua namorada. Com o grau etílico no nível onze, considerando uma escala de zero a dez, respondi prontamente: “Ele não me quer!”. Ele rapidamente corrigiu: “Como não quero? Você está aqui, no meu colo, comigo!”
Quando todos resolveram ir embora ele disse: “Dorme comigo?”
“Onde você mora?”, perguntei sei lá porquê.
Ele: “Zona Sul”.
Na minha cabeça alterada pela cerveja preta a Zona Sul era um bairro... não uma zona de São Paulo. Na verdade, não era essa a minha preocupação... Eu queria sim ir dormir com ele. E fui.
Não me lembro do caminho, lembro que demoramos muito para chegar.
O que aconteceu a seguir é bastante íntimo, mas eu não contaria se não fosse igualmente bizarro.
Fomos ao seu quarto. Eu fiquei quase comedida, apenas de calcinha e sutiã. Ele de cueca.
Ele me mostrou seu livro de cabeceira. Desses que a gente lê e relê ao longo da vida. Acho que lemos um pouco do livro. Buda. Ou Gandhi. Algo do gênero.
Deitamos e ele disse: “Podemos dormir de conchinha?”
O que mais uma mulher poderia querer depois de uma noite de amor????
Só o que eu não sabia é que quando ele me pediu para dormir de conchinha era exatamente isso que ele queria fazer: DORMIR.
Eu deitada, de conchinha, abraçada, praticamente dançando “A nova loira do Tchan é linda, deixa ela entrar...” ao que ele diz suavemente no meu ouvido (sim, ele me castrava de maneira suave!): “Shhhiu, shhhhiu, fica quietinha e dorme!”
Fiquei indignada! Indignada! Indignada!
Levantei e fiz uma cena. E ele sorria e dizia com uma calma absolutamente irritante, até para quem estivesse sóbrio: “Tinha que ser geminiana, né? Vem cá, vem... vem dormir quietinha aqui comigo...”
Eu falei que ía embora. Mas não fazia ideia de onde eu estava. E devia ser muito tarde. Eu só sabia que estava na Zona Sul. Numa Zona Sul muito longe de qualquer Zona Sul que eu conheça até hoje.
Dormimos. De conchinha, pasmem!! Eu extremamente magoada e regeitada. Em estado catatônico!
Tivemos uma noite terrível. Nós dois passamos muito mal.
Hoje sei que mais do que a cerveja preta, o mal estar se deu principalmente pela situação constrangedora e humilhante.
No dia seguinte eu ainda estava catatônica. Ele me pegou no colo, mais uma vez, enquanto eu esperava um taxi, e disse: “Pequena, você é uma mulher incrível! Eu amo você! Não vamos demorar para nos vermos de novo!”
Nos falamos depois mais algumas vezes, primeiramente com muito ressentimento de minha parte, e posteriormente com uma certa irritação da parte dele, creio eu. O fato é que meu espírito sarrista me impediu de leva-lo a sério para sempre. Sempre que conversávamos eu não podia deixar de fazer uma piada bastante cínica sobre aquela situação.
Ele nunca me explicou o porquê daquela crueldade. Porque sim, até hoje acredito que seduzir alguém para menospreza-lo depois é puramente uma crueldade.
Depois disso fiquei muito tempo desacreditada de mim. Tinha certeza de que era muito feia e mais que isso, nada desejável. Demorei muito, muito tempo para me recompor.
Mas me recompus. E conclui:
1-      A Zona Sul é enorme. Da casa dele ao meu destino, que também era na Zona Sul, eu gastei 50 reais de taxi.
2-      Não interprete livros de cabeceira de maneira equivocada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O SEM NOÇÃO


Este de fato merece esse codinome: O SEM NOÇÃO!
Conheci o Sem Noção porque sempre que eu saia de casa ele estava no bar da frente me olhando. 
Com o passar do tempo passou a me comprimentar, assim, de longe.
Foram algumas semanas nesse ritual.
O Sem Noção não era de todo mal.
Não faz meu tipo, mas quando não se tem unhas, não se exige muito também.
Afinal... porque condenar sem antes conhecer?
Ás vezes a pessoa pode acrescentar na sua vida, certo?
Errado. Nem sempre é assim.
Um belo dia, ou melhor, noite, já tarde da noite aliás, ouço um carro barulhento dando voltas e voltas no meu quarteirão.
Ele deve realmente ter dado voltas e voltas, porque eu demorei a perceber a insistência do motor barulhento.
Detalhe: ele tem o carro rebaixado! (Na verdade tinha, mas volto nisso mais tarde!)
O fato é que eu sai da varandinha e vi que era ele.
Não me fiz de rogada! (Acho que esse é um problema sério meu!)
“Vai ficar dando voltas no quarteirão até quando?”, perguntei.
Ele parou o carro e disse que queria me conhecer.
O Sem Noção é 10 anos mais novo do que eu. E naquele momento me disse não ter ninguém. E por ter 10 anos a mais que ele, fingi acreditar.
Ficamos conversando no portão.
Ficamos.
E então, por alguma razão bem sem noção, ele resolveu confessar que tinha sim namorada.
Sou do tipo antiquada neste quesito: Não fico com homens comprometidos.
Claro, isso já aconteceu, mas a maturidade tem lá suas vantagens.
E ser o outro lado da moeda não é nada, nada, nada agradável.
Então eu não fico. E deixei claro.
Nos despedimos com a promessa de sermos amigos.
Uns três dias depois o Sem Noção me ligou. Me chamou para tomar uma cerveja. Aceitei. Que mal poderia haver, já que tinha deixado claro para ele a minha postura?
Não sabia que ele se tornaria o Sem Noção.
Fomos tomar a cerveja e ele tentou me beijar. Ele tentou me beijar muitas vezes. Até que eu cansei e acabei a noite com uma terrível cara de mal humor.
Algum tempo depois eu acordo de madrugada com o Sem Noção me chamando na porta de casa. Acredito que deviam ser umas 4 da manhã. Estava mais mamado do que bezerro gordo. Como ele mora na mesma rua, falei com bastante clareza e com uma calma quase incomum que era tarde, que ele estava bêbado, e que ele deveria ir.
Como todo bêbado que se preze ele chorou.
Me contou que a polícia já tinha parado ele numa blitz, que por causa disso a namorada tinha ficado puta, que ele precisava dormir.
E eu, com minha gigantesca educação, disse que isso seria muito bacana da parte dele, já que ele estava a apenas alguns metros de sua casa.
Contrariado o Sem Noção foi.
E bateu o carro diretamente no carro do vizinho, acabando com ambos. Em menos de 200 metros ele destruiu dois caros!! (Viu porque o carro dele ERA rebaixado?)
Minha grande sorte foi que ao me despedir, entrei em casa e me joguei na cama. De forma que eu de verdade não ouvi a batida.
Um tempo depois ele voltou, para me pedir desculpas. Disse que tinha perdido a noção (imaginem vocês!) e que isso não viria mais acontecer. E como ele é o Sem Noção, tentou me beijar. Desta vez eu simplesmente despachei a oferenda!!
Acham que acaba por aí?
Não, meu povo! Ele é o Sem Noção!
Faz pouco tempo eu acordo as cinco da manhã com o Sem Noção batendo na minha janela, me chamando baixinho... “Ju... Ju... acorda, abre pra mim!”
Me levantei da cama sem entender. Perguntei quem era. Ele disse ser o sem noção que é. Eu expliquei pela janela mesmo que eram cinco horas da manhã, que eu estava doente e pedi que ele fosse embora.
Deitei em minha cama novamente, fechei os olhos... e quando estou quase domindo novamente eu ouço: “Ju... Ju... abre pra mim... sou eu!”
Levantei como um tiro. Sono e raiva juntos podem ser pior do que TPM, acreditem.
Corri até a porta da minha casa, chamei ele, que chegou cambaleando e a partir desse momento a vizinhança inteira deve ter descoberto que ele era um sem noção.
Dentro dos inumeros palavrões e baixarias que falei, disse também que chamaria a polícia.
Foi nesse momento que o Sem Noção se pôs a correr.
Mas correu de verdade.
Correu rápido e com os braços frouxos.
Foi como se o morto muito louco estivesse em uma maratona.
E deve ter ouvido os meus berros ainda quando estava entrando na casa dele.
Encontrei ele dois dias depois. O Sem Noção me abriu um sorriso.
E eu juro que não sabia que tinha aquele olhar. Mas foi tão fulminante que eu não consegui reproduzir depois no espelho.  Ele ficou até pálido.
Tomara que ele tenha alguma noção dentro da não noção dele!
E espero, de verdade, que esse seja o fim dessa história... sem noção!