segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O AMIGUINHO

Eu estava numa fase bastante centrada quando conheci o Amiguinho.
Estava no ápice da minha força de vontade em me exercitar e emagrecer. Não comia gordura e nem unhas, se não me engano.
Conheci ele através daquela amiga minha, a prima do Sr Whisky. 
No caso do Amiguinho, ela não relutou quando pedi que marcasse uma cerveja com ele naquele fim de tarde. E para minha alegria ele topou de cara.
O Amiguinho é o que podemos dizer que faz meu tipo. 
Na verdade, mais do que isso, ele é o esteriótipo dos homens que eu, sem querer, acabo me atraindo. Loiro, olhos azuis, branquelão. Bonito. Nada estonteante, mas bonito.
Quando nos encontramos naquele fim de tarde, ficamos um bom tempo batendo papo, eu, ele, um amigo que ele tinha levado, minha amiga e o namorado dela.
Foi só na hora de irmos embora, na despedida, que ele me beijou. 
E o que era pra ser uma despedida virou o começo da noite. 
Minha amiga e o namorado foram embora e eu, ele e o amigo dele fomos para outros lugares para tomar algumas saideras.
Honestamente não me lembro exatamente o porquê que na ocasião minha filha não estava comigo, mas o fato é que se passaram 4 dias entre o nosso primeiro beijo e o nosso primeiro beijo de tchau.
Não sei se me fiz entender. 
O que eu quis dizer é que passamos 4 dias juntos, sem desgrudar.
Sim, amigos que acompanham esse blog... UM RECORDE!!! 
Durante esses dias, um clima de romance, aconchego, e diversão gostosa estava instaurado.
Ai, que delícia é esse encantamento inicial, né não?
Pode começar a tocar "Have You Ever Really Loved a Woman", por favor...


A gente pedia comida, e dávamos colheradinhas na boca um do outro. Assistimos comédia romântica deitado de conchinha. Saímos durante esses dias para nos exercitar juntos. Brincávamos de Jiu-Jitsu... tá, acho que essa não é uma brincadeira tão comum entre os que estão iniciando uma relação, mas eu confesso: adoro brincar de Jiu-Jitsu. E nos momentos mais comedidos, falávamos sobre nossa vida. Sobre as dificuldades, sobre os dissabores amorosos, sobre as vontades para o futuro.
Quando a vida teve que voltar á rotina, ele me mandava mensagens me chamando de linda, dizendo que sentia saudades.
Então combinamos de nos vermos num fim semana, poucos dias depois daqueles quatro dias.
Deixei minha filha na casa dos avós, me arrumei, me perfumei, e fiquei esperando ele.
Ok. Pode parar a música agora. Obrigada Bryan Adams por sua enorme contribuição. 
Ele não apareceu. Quando eu liguei, por causa da demora, ele me disse que já estava na rua, com os amigos. Eu disse: "Ok, mas você não vai passar aqui?", ao que ele repetiu: "Já estou na rua com meus amigos, Linda! Beijo e boa noite!"
Fiquei chateada. Mas também não era para menos.
Passaram alguns dias e ele me ligou. Já era tarde, e eu estava com minha filha. Aí disse que não tinha como encontra-lo, mas que combinaríamos um outro dia.
Quero fazer uma pequena pausa na história para explicar uma coisa: apesar do medo latente dos caras de terem que assumir uma família logo de cara só porque eu tenho uma filha, eu costumo ser muito clara: só vai conhecer minha pequena se o assunto for sério. Antes disso não! Se contentem com fotinhos dela. Por isso, quando estou com ela, não estou com cara nenhum. 
Pronto. Voltando...
A coisa toda foi se dando assim... quando ele me ligava, geralmente em cima da hora do convite, eu me descabelava para deixar minha filha com os avós para poder vê-lo. Quando eu ligava ele não podia. Na verdade, ele nunca, eu disse, NUNCA me encontrou por um chamado meu. Mas até então eu não estava dimensionando isto de fato.
Até que teve um feriado. Eu teria que trabalhar. Por isso minha filha foi viajar com os avós. E por eu ter que ir trabalhar ele disse que ficaria o feriado viajando com os amigos. Disse para ele aproveitar, pra se divertir, mas que eu sentiria saudades. Ele disse que também.
Ao longo do feriado nos falamos apenas por mensagens de texto. Todas com conteúdo similar a "queria tanto estar aí com você!" "que frio está fazendo, bem que podíamos estar juntinhos", de ambos os lados!
Meu trabalho foi bastante rápido, de modo que passei o feriado sozinha.
Na segunda, falando pelo bate-papo do Facebook, ele disse: "Passei o feriado com frio... aqui nunca tem um meio termo, né? Ou faz muito frio ou faz muito calor."
Peraí.... AQUI?? Aqui onde??
É amiguinhos... ele não foi viajar... passou o feriado falando que tinha ido, mas não foi.
Brigamos. Quer dizer, eu briguei. Ele, sem a menor modéstia, não era inteligente o suficiente para contra atacar minhas afirmações. Somado ao fato de que mentira tem perna curta e é coisa de criança.
O que ele me falou? 
Ele disse que tinha deixado claro para mim que seríamos só amigos. Que ele estava focando a vida dele no lado profissional. E que ele não tinha cabeça para se envolver com ninguém. Mas que gostava muito de mim, e que não queria perder nossa amizade. Que eu era (vejam que honra!) a melhor das amigas que ele tinha.
OI??? Em que momento isso foi acordado?? Quantas "amigas" ele tinha???
A pior coisa que um homem pode fazer a uma mulher é subestimar sua inteligência. 
E ele, amiguinhos, faz isso muito mal!
Depois disso, ele passou a me ligar compulsivamente, mas eu não atendia.
Um dia eu estava em casa e ele apareceu. Minha filha estava comigo. Eles se conheceram. E ela, dada como ela só, não se fez de rogada e quis fazer amizade com o meu Amiguinho.
Foi a única vez que eles se viram. Claro!
Depois disso a coisa esfriou. 
Teve só mais uma vez que ele apareceu bêbado na minha casa, já de madrugada, e me acordou. Não sei se é sina, costume dos homens do interior, ou uma baita falta de educação mesmo, mas o fato é que os caras acham que podem passar bêbados na minha casa de madrugada. Dispensei e no dia seguinte dei um esculacho leve.
Vira e meche eu encontro o Amiguinho por aí.
Nesse fim de semana mesmo. Nos cumprimentamos e ele disse, entre outras bobagens, na maior cara deslavada: "Tentei te ligar!". Vendo minha cara de interrogação ele completou: "Cara de pau eu, né? Não tentei não....". E deu risada.
Dei risada também. 
Tem gente que não dá pra levar a sério.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O VIRTUAL

Quero, antes de qualquer coisa, deixar claro que essa história pode servir também de um ótimo guia de "como não fazer uma relação virtual virar um fracasso total!".
Certo dia resolvi tentar achar um namorado através de um site de relacionamentos.
As razões para essa minha decisão foram muitas, além das unhas roídas, claro. Estava trabalhando muito, sem tempo para nada, tinha me mudado de cidade e quase não conhecia ninguém, e com isso minha vida social estava nula, pra não dizer um fracasso. Além disso tinha o agravante de ser mãe solteira. Isso, acreditem, assusta bastante os homens, que já se enxergam tendo que administrar uma vida familiar antes mesmo de ter aproveitado o início descompromissado dos começos de relação.
Conhecer uma pessoa ao acaso, numa balada por exemplo, pode não levar a nada... na maioria das vezes não leva.  E achar alguém que tenha paciência para conhecer o seu mundo, suas características, o que você gosta, o que você não gosta, o que você é capaz de suportar por amor, seu gosto por filmes, comida, passeios, enfim, toda essa complexidade que forma um ser humano, nesse mundo imediatista e exigente, está  mais para Missão Impossível 4, sem o Tom Cruise.
Um site de relacionamentos pula algumas dessas etapas. Está tudo lá. Se te interessou, você sabe exatamente onde está se metendo. A não ser que tenha o azar de pegar alguém que mentiu.
A primeira dica que deixo: Façam como eu... paguem para entrar num site.
Não acreditem que vão achar alguém sério num desses sites gratuitos. Esses aí são muito mais um classificado de mulheres carentes e homens pegadores a procura de diversão.
No site em que eu entrei eu poderia pagar por um mês de uso, três meses, seis meses ou um ano. Um mês poderia ser pouco... seis meses ou um ano, para mim, demais... três meses foi minha escolha. Teria tempo para analisar os candidatos, e ver como o troço funcionava de fato.
Uma vez que paguei o boleto, que imprimi e que fiz questão de pagar no caixa eletrônico para que ninguém visse do que se tratava, fui para a etapa 2: o questionário.
Antes de falar do questionário devo fazer uma ressalva. Apesar da decisão de entrar em um site de relacionamentos ter me parecido sensata, eu morria de vergonha de dizer isso para qualquer um... o que me acalmava era o fato de que no site eu encontraria pessoas na mesma situação que eu, logo, ninguém lá poderia tirar um barato da minha cara!
Pois bem. Passei dois dias preenchendo tudo. Da forma mais honesta e detalhada possível. E mesmo que eu não quisesse... gente, até eu me conheci melhor respondendo aquele mundarél de perguntas. Sobre mim, sobre o que eu espero de um companheiro. Foi lá que eu descobri que não suportaria um homem que falasse sobre suas fezes com o meu círculo de amigos, por exemplo. Definitivamente não suportaria.
Tinham questões dissertativas e de múltipla escolha. As de múltipla escolha, ao contrário das provas da escola, eram mais difíceis. E tinham aquelas em que te era dado uma afirmação e você tinha que marcar o quanto concordava com aquilo, numa escala de zero a dez. Muito difícil, quando não se pode justificar o porquê.
E aqui vai minha dica 2: sejam sim absolutamente honestos em tudo! Senão é jogar tempo e dinheiro fora.
Depois do detalhado questionário respondido, da minha foto publicada (isso me deu medo!), comecei a receber algumas mensagem de homens interessados no meu perfil.
E fiquei pasma ao ver que eram homens bastante interessantes.(Até porque éramos sugeridos por uma espécie de mapa trassado pelo site que cruzava as informações de interesse de ambos os lados!) Os motivos para estarem lá eram os mais variados, mas também bastante coerentes.
Com o passar do tempo, de todos os homens interessantes que eu bati papo, optei por um.
O Virtual era um homem da minha idade, Caucasiano, não era lindo, mas numa escala de zero a dez eu daria 7,5, (peguei a prática, como podem ver!) professor de Geografia de uma renomada e importante universidade pública de São Paulo (hehehe), judeu (mais hehehe), e super virtualmente romântico! (Tenho a impressão de que se eu falar mais sobre ele, e se o acesso ao blog continuar assim, podem descobrir quem ele é, então paro com meu sadismo por aqui!)
Me mandava poemas, músicas, me enchia de mimos virtuais.
Lá estava eu, virtualmente apaixonada!
Passamos do site para o Facebook. E do Face para o telefone.
Ficávamos horas e horas ao telefone. Falando sobre tudo. Ele, um cara super inteligente, empreendedor... fascinante naquele começo, não posso negar.
Chegou a me pedir em casamento, pasmem. E eu aceitei, pasmem mais ainda. Sem nunca termos nos visto pessoalmente.
Chegou então o momento de finalmente vermos nossas fuças.
A essa altura já nos falávamos há uns 3 meses.
Fui para São Paulo, especialmente para a ocasião, conforme combinado com ele anteriormente.
Frio na barriga. Mão suando. Tremedeira. E se não tiver química??
E quando cheguei, liguei. E ele não atendeu.
Liguei de novo. Nada.
Deixei recado. Cri-cri-cri...
No dia seguinte repeti o procedimento. Nada.
No outro dia voltei. Sem aquelas sensações deliciosamente esquisitas e desagradáveis.
O lugar delas, dessas sensações, foi ocupado pela Senhora Decepção, Senhora Frustração e Senhora Tenho um Post It de Idiota na Testa.
Fiquei em silêncio, para ver até onde aquela falta de educação iria. Eu entrava no bate papo, e lá estava ele, on line, e num silêncio ainda maior que o meu.
Acho que ficamos nos vendo assim por uns três dias. Até que eu, que sou mulher, obviamente não aguentei e mandei um esporro em Arial Fixa perguntando que tipo de pessoa ele era para ter feito eu perder meu tempo. Só me respondeu com um "meu pai morreu. Desculpe minha ausência."
Pensam que eu me comovi?
NUNCA. Mandei um esporro maior ainda, desta vez em Negrito, Itálico e sublinhado, dizendo que aquilo não me tocava, visto que ele poderia ter me falado sobre isso, e que eu seria a primeira pessoa a dar meu ombro se ele tivesse o tivesse feito. (E teria mesmo, se isso de fato aconteceu!) E exclui ele do meu facebook.
Passaram alguns dias e as Senhoras me deixaram e eu passei a me questionar se eu não tinha sido um tanto cruel. E se de fato o pai dele tivesse morrido?
Voltei a procura-lo. E pedi desculpas. Honestamente. Ele demorou, mas aceitou.
Voltamos a nos falar lentamente mas não tardou para que estivéssemos de novo na maior intimidade.
Mais uma vez fui a São Paulo. Desta vez por motivos profissionais. Liguei para ele. Ele não atendeu. Mandei uma mensagem. Ele não respondeu. Mas como estava a trabalho fingi (eu disse FINGI!) que não tinha dado importância.
Um tempo depois ele disse que ficaria um tempo fora. Iria com a Mamy dele para um cruzeiro, para ajuda-la a superar a dor da perda do pai. Iriam pela costa brasileira e depois seguiriam para a Grécia.
Achei ótimo, disse que ele tinha mais é que espairecer, e completei dizendo que sentiria saudade de falar com ele nesse tempo em que ele estaria longe.
Mas nem senti saudade não.
A internet dele devia ser muito boa.
Tipo, com certeza não era um modem da TIM.
Digo isso porque durante todo o tempo da suposta viagem ele ficou na internet, on line, do suposto navio. Foram 40 dias, em alto mar, falando comigo pelo chat do facebook. Eu fingia que aquilo não era no mínimo esquisito... perguntava sobre as cidades que ele estava, sobre como estava o clima... e ah! Como a Grécia era linda!! Ainda não entendi em que momento ele saiu do computador para ver tudo o que me descrevia... ou vai ver que foi fazendo o tour com o computador na mão, tamanha era a paixão por mim... enfim. Pedi para ele me mandar algumas fotos, mas ele só me mandou um vídeo com uma sequência esdruxula de pessoas levando tombos... uma espécie de vídeo cacetadas punk. Seria uma indireta? Vai entender...
Quando ele voltou (hehehe) combinamos de nos encontrar novamente.
Mais uma vez passamos horas ao telefone e marcamos. Na verdade, naquele dia nos falamos ao longo do dia todo por várias vezes, por muito tempo.
Um dia antes de ir, desta vez, liguei para ele.
Adivinhem??
Sim, ele não atendeu.
Mandei um recado desta vez bastante centrado e nada histérico: "Sua bipolaridade é assustadora!"
Exclui de vez do facebook. Ele nunca mais entrou em contato.
Nossa conturbada relação virtual durou cerca de 10 meses.
E porque entre tantas opções eu não escolhi o engenheiro bonitão, o dentista moreno alto ou até mesmo aquele pediatra viúvo, pai de dois filhos?

E eis aqui minha conclusão e dica mais importante: NÃO OPTEM POR UM.
Experimentem todos.
Exatamente. Experimentem todos, e só então cheguem a um veredito.
Como não foi o que eu fiz, eis aqui mais uma das minhas tragicomédias!