Quero, antes de qualquer coisa, deixar claro que essa história pode servir também de um ótimo guia de "como não fazer uma relação virtual virar um fracasso total!".
Certo dia resolvi tentar achar um namorado através de um site de relacionamentos.
As razões para essa minha decisão foram muitas, além das unhas roídas, claro. Estava trabalhando muito, sem tempo para nada, tinha me mudado de cidade e quase não conhecia ninguém, e com isso minha vida social estava nula, pra não dizer um fracasso. Além disso tinha o agravante de ser mãe solteira. Isso, acreditem, assusta bastante os homens, que já se enxergam tendo que administrar uma vida familiar antes mesmo de ter aproveitado o início descompromissado dos começos de relação.
Conhecer uma pessoa ao acaso, numa balada por exemplo, pode não levar a nada... na maioria das vezes não leva. E achar alguém que tenha paciência para conhecer o seu mundo, suas características, o que você gosta, o que você não gosta, o que você é capaz de suportar por amor, seu gosto por filmes, comida, passeios, enfim, toda essa complexidade que forma um ser humano, nesse mundo imediatista e exigente, está mais para Missão Impossível 4, sem o Tom Cruise.
Um site de relacionamentos pula algumas dessas etapas. Está tudo lá. Se te interessou, você sabe exatamente onde está se metendo. A não ser que tenha o azar de pegar alguém que mentiu.
A primeira dica que deixo: Façam como eu... paguem para entrar num site.
Não acreditem que vão achar alguém sério num desses sites gratuitos. Esses aí são muito mais um classificado de mulheres carentes e homens pegadores a procura de diversão.
No site em que eu entrei eu poderia pagar por um mês de uso, três meses, seis meses ou um ano. Um mês poderia ser pouco... seis meses ou um ano, para mim, demais... três meses foi minha escolha. Teria tempo para analisar os candidatos, e ver como o troço funcionava de fato.
Uma vez que paguei o boleto, que imprimi e que fiz questão de pagar no caixa eletrônico para que ninguém visse do que se tratava, fui para a etapa 2: o questionário.
Antes de falar do questionário devo fazer uma ressalva. Apesar da decisão de entrar em um site de relacionamentos ter me parecido sensata, eu morria de vergonha de dizer isso para qualquer um... o que me acalmava era o fato de que no site eu encontraria pessoas na mesma situação que eu, logo, ninguém lá poderia tirar um barato da minha cara!
Pois bem. Passei dois dias preenchendo tudo. Da forma mais honesta e detalhada possível. E mesmo que eu não quisesse... gente, até eu me conheci melhor respondendo aquele mundarél de perguntas. Sobre mim, sobre o que eu espero de um companheiro. Foi lá que eu descobri que não suportaria um homem que falasse sobre suas fezes com o meu círculo de amigos, por exemplo. Definitivamente não suportaria.
Tinham questões dissertativas e de múltipla escolha. As de múltipla escolha, ao contrário das provas da escola, eram mais difíceis. E tinham aquelas em que te era dado uma afirmação e você tinha que marcar o quanto concordava com aquilo, numa escala de zero a dez. Muito difícil, quando não se pode justificar o porquê.
E aqui vai minha dica 2: sejam sim absolutamente honestos em tudo! Senão é jogar tempo e dinheiro fora.
Depois do detalhado questionário respondido, da minha foto publicada (isso me deu medo!), comecei a receber algumas mensagem de homens interessados no meu perfil.
E fiquei pasma ao ver que eram homens bastante interessantes.(Até porque éramos sugeridos por uma espécie de mapa trassado pelo site que cruzava as informações de interesse de ambos os lados!) Os motivos para estarem lá eram os mais variados, mas também bastante coerentes.
Com o passar do tempo, de todos os homens interessantes que eu bati papo, optei por um.
O Virtual era um homem da minha idade, Caucasiano, não era lindo, mas numa escala de zero a dez eu daria 7,5, (peguei a prática, como podem ver!) professor de Geografia de uma renomada e importante universidade pública de São Paulo (hehehe), judeu (mais hehehe), e super virtualmente romântico! (Tenho a impressão de que se eu falar mais sobre ele, e se o acesso ao blog continuar assim, podem descobrir quem ele é, então paro com meu sadismo por aqui!)
Me mandava poemas, músicas, me enchia de mimos virtuais.
Lá estava eu, virtualmente apaixonada!
Passamos do site para o Facebook. E do Face para o telefone.
Ficávamos horas e horas ao telefone. Falando sobre tudo. Ele, um cara super inteligente, empreendedor... fascinante naquele começo, não posso negar.
Chegou a me pedir em casamento, pasmem. E eu aceitei, pasmem mais ainda. Sem nunca termos nos visto pessoalmente.
Chegou então o momento de finalmente vermos nossas fuças.
A essa altura já nos falávamos há uns 3 meses.
Fui para São Paulo, especialmente para a ocasião, conforme combinado com ele anteriormente.
Frio na barriga. Mão suando. Tremedeira. E se não tiver química??
E quando cheguei, liguei. E ele não atendeu.
Liguei de novo. Nada.
Deixei recado. Cri-cri-cri...
No dia seguinte repeti o procedimento. Nada.
No outro dia voltei. Sem aquelas sensações deliciosamente esquisitas e desagradáveis.
O lugar delas, dessas sensações, foi ocupado pela Senhora Decepção, Senhora Frustração e Senhora Tenho um Post It de Idiota na Testa.
Fiquei em silêncio, para ver até onde aquela falta de educação iria. Eu entrava no bate papo, e lá estava ele, on line, e num silêncio ainda maior que o meu.
Acho que ficamos nos vendo assim por uns três dias. Até que eu, que sou mulher, obviamente não aguentei e mandei um esporro em Arial Fixa perguntando que tipo de pessoa ele era para ter feito eu perder meu tempo. Só me respondeu com um "meu pai morreu. Desculpe minha ausência."
Pensam que eu me comovi?
NUNCA. Mandei um esporro maior ainda, desta vez em Negrito, Itálico e sublinhado, dizendo que aquilo não me tocava, visto que ele poderia ter me falado sobre isso, e que eu seria a primeira pessoa a dar meu ombro se ele tivesse o tivesse feito. (E teria mesmo, se isso de fato aconteceu!) E exclui ele do meu facebook.
Passaram alguns dias e as Senhoras me deixaram e eu passei a me questionar se eu não tinha sido um tanto cruel. E se de fato o pai dele tivesse morrido?
Voltei a procura-lo. E pedi desculpas. Honestamente. Ele demorou, mas aceitou.
Voltamos a nos falar lentamente mas não tardou para que estivéssemos de novo na maior intimidade.
Mais uma vez fui a São Paulo. Desta vez por motivos profissionais. Liguei para ele. Ele não atendeu. Mandei uma mensagem. Ele não respondeu. Mas como estava a trabalho fingi (eu disse FINGI!) que não tinha dado importância.
Um tempo depois ele disse que ficaria um tempo fora. Iria com a Mamy dele para um cruzeiro, para ajuda-la a superar a dor da perda do pai. Iriam pela costa brasileira e depois seguiriam para a Grécia.
Achei ótimo, disse que ele tinha mais é que espairecer, e completei dizendo que sentiria saudade de falar com ele nesse tempo em que ele estaria longe.
Mas nem senti saudade não.
A internet dele devia ser muito boa.
Tipo, com certeza não era um modem da TIM.
Digo isso porque durante todo o tempo da suposta viagem ele ficou na internet, on line, do suposto navio. Foram 40 dias, em alto mar, falando comigo pelo chat do facebook. Eu fingia que aquilo não era no mínimo esquisito... perguntava sobre as cidades que ele estava, sobre como estava o clima... e ah! Como a Grécia era linda!! Ainda não entendi em que momento ele saiu do computador para ver tudo o que me descrevia... ou vai ver que foi fazendo o tour com o computador na mão, tamanha era a paixão por mim... enfim. Pedi para ele me mandar algumas fotos, mas ele só me mandou um vídeo com uma sequência esdruxula de pessoas levando tombos... uma espécie de vídeo cacetadas punk. Seria uma indireta? Vai entender...
Quando ele voltou (hehehe) combinamos de nos encontrar novamente.
Mais uma vez passamos horas ao telefone e marcamos. Na verdade, naquele dia nos falamos ao longo do dia todo por várias vezes, por muito tempo.
Um dia antes de ir, desta vez, liguei para ele.
Adivinhem??
Sim, ele não atendeu.
Mandei um recado desta vez bastante centrado e nada histérico: "Sua bipolaridade é assustadora!"
Exclui de vez do facebook. Ele nunca mais entrou em contato.
Nossa conturbada relação virtual durou cerca de 10 meses.
E porque entre tantas opções eu não escolhi o engenheiro bonitão, o dentista moreno alto ou até mesmo aquele pediatra viúvo, pai de dois filhos?
E eis aqui minha conclusão e dica mais importante: NÃO OPTEM POR UM.
Experimentem todos.
Exatamente. Experimentem todos, e só então cheguem a um veredito.
Como não foi o que eu fiz, eis aqui mais uma das minhas tragicomédias!
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