terça-feira, 20 de novembro de 2012

O INTELECTUAL

Acho que foi vendo meus cotocos de unhas que um casal de amigos resolveu me apresentar O Intelectual. Na verdade eu já o havia visto antes numa baladinha, onde esse meu amigo, músico, tinha ido tocar.
Tinha achado ele um homem interessante.
Falei isso para a minha amiga, a mulher do amigo músico.
Na ocasião estava frio, e ele estava vestido de uma forma bastante alternativa.
Homens de cachecol sempre mechem com minha imaginação, não sei dizer o porquê. Além disso, tinha um cabelo castanho quase comprido, bagunçado, no estilo "não ligo muito para meu visual mas é mentira". Barba. Barbas me comovem... um homem de barbas, para mim, é um cara minimamente másculo!! ADORO!! E longe do esteriótipo que dizem dos homens que me atraem, ele era moreno, com uma carinha de índio!
Quando nos encontramos no outro dia, estava calor.
Ele vestia uma camiseta e bermuda, e uma papete que eu teria descartado, mas relevei.
Foi o primeiro cara que olhou para minha tatuagem e disse:
"Ei, é aquele poema... "para os que atravessam meu caminho"...!".
Não declamou o "Poeminha do Contra" do meu Quintana da maneira certa... mas chegou mais perto do qualquer cara até então.
Ele era bonito... de uma maneira bastante específica... é o cara que depende do gosto.
Para o meu, nota 8.
Mas o que me dizia respeito mesmo, é que pela primeira vez em mais de dois anos, eu consegui conversar com um homem sobre absolutamente tudo.
Os assuntos saltavam da caixa de Pandora como surpresas agradáveis... e não se esgotavam. Culinária, política, ecologia, teatro, música, viagens, filhos (ele também separado e pai de um filho!)... em algumas horas uma passada geral em tópicos importantes para verificar a veracidade da capacidade intelectual de ambos.
Foi praticamente um MMA do conhecimento geral. Deu um delicioso empate!
Ele era formado em alguma coisa relacionada a Gestão Ambiental. Era com isso que ele trabalhava, se não me engano.
Dessa vez, ao contrário do que eu havia feito com o Sr Whisky, eu fui de um tanto comedida que até me surpreendi!
Ficou me devendo o nome de um poeta, que ele não conseguiu lembrar na ocasião.
Quando nosso casal de amigos deixou ele em casa, porque ambos estávamos de carona com eles, ele singelamente me deu um beijo no canto da boca, um abraço longo, e sussurrou: "Ei, eu também sou um passarinho!", fazendo menção ao resto do poema da minha tatuagem.
Fiquei encantada! E sim, tinha feito bonito desta vez!
Peguei o telefone dele com o amigo músico, que por sua vez, estava botando a maior fé!
Adicionei no Facebook e deixei um recado.
Ele prontamente aceitou a solicitação, mas não respondeu a mensagem, que dizia algo do tipo:
"Adicionado, Passarinho Também.
O próximo passo é o Song Pop??? rs!
Espero que a vitamina tenha caído bem!!!
Beijos nocê!"
A parte da vitamina foi a respeito de uma vitamina que ele comprou na noite em que saímos... vitamina pós cerveja pode ser perigoso...
Muito tempo se passou até que ele me respondesse a mensagem. Na verdade ele só respondeu por intimidação do nosso amigo, que disse ser mancada deixar o outro falando sozinho.
Na verdade, antes que ele me respondesse no Facebook eu mandei uma mensagem via celular para ele, depois de uma noite que tinha tido um sonho. Escrevi:
"Sonhei com você, e então resolvi dar um oi! Então oi!"
Ele não respondeu também.
Vejam bem... pode parecer a principio, quando eu conto assim tudo na sequência, que eu sou uma mulher que pega no pé. Na verdade, entre minha mensagem no Facebook e a outra no celular, passaram-se algumas semanas, então não me considero pegajosa... eu diria mais desbravadora, embora o outro nem sempre reconheça essa minha coragem.
Passado mais algum tempo ele finalmente respondeu, como eu estava dizendo, a mensagem do Facebook. A resposta que me chegou, depois de tanto tempo foi:
"Caiu sim!
E o poeta do qual falava era Manuel Bandeira!!
Bjs"
Fiquei sem saber se respondia a isso de alguma maneira. O que dizer? O que saiu, em razão de não ser mal educada, foi:
"Ah sim... o senhor que era farto do lirismo comedido!!"
O que eu quis dizer com isso?
Muitas coisas na verdade.
Primeiramente é que de fato o Manuel Bandeira era farto dos lirismos comedidos... a segunda coisa é que ele, O Intelectual em si, era um cara de lirismos comedidos, e finalmente a terceira coisa é que eu sou uma pessoa que não suporta lirismos comedidos.
Tudo isso em um simples trecho de um poema.
Porque os poemas são grandiosos para quem sabe ler suas entrelinhas.
E isso foi tudo.
Um tempo depois meu amigo me disse que o Intelectual disse estar "com o pé atrás com as mulheres".
O que isso quer dizer?
Não sei, honestamente... porque esta frase está muito longe de ser poesia... não existem entrelinhas nela... eu diria inclusive que é uma afirmação bastante suspeita dentro do contexto sexual variante de hoje em dia.
Nunca mais nos vimos.
Mas algo me diz que tanto o Bandeira quanto o Quintana devem ter se estribuchado do lado de lá por terem sido sitados assim, em vão.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O QUASE

No post "O AMIGUINHO" eu disse que eu não costumo apresentar minha filha para os caras que aparecem em minha vida.
Pois então. 
Nessa história vocês saberão que eu de fato não apresento ninguém para ela.
Mas nada impede dela me apresentar...
Aqui no interior temos poucas opções de programas para o fim de semana. Uma dessas opções, e talvez a mais cogitada pelas pessoas daqui, é o Mercadão. 
Trata-se do Mercado Municipal da cidade, que durante a semana serve para o fim a que veio, mas de Sábado (Domingo não abre! rs!) torna-se uma pequena competição de qual comerciante consegue fazer a melhor baladinha diurna para os inúmeros frequentadores que lá vão. E por começar durante o dia, vão para lá os solteiros, os casais, as turmas de amigos ou as famílias com suas crianças. 
Por isso naquele dia minha filha estava comigo.
Sempre digo a ela que ela não pode conversar com quem não conhece.
E foi por isso que ela veio até mim e disse:
"Mamãe, preciso te apresentar meu novo amigo, para que ele não seja mais um estranho!"
Ela me apresentou o QUASE. 
Ele era lindo!!! De verdade. Loiro, olhos azuis, corpo magro mas definido. Tinha todo um estilo, que era uma espécie de hipponga chic. Estava usando uma regata, bermuda e um chapéu. Depois tivemos oportunidade de tirar fotos juntos, e eu mostrei para alguns amigos que sempre diziam: "Caraca! Que homem lindo!"
Acho que minha filha se aproximou dele por duas razões: a primeira é que ele era de fato muito parecido com o pai dela, (parecido eu disse, mas bem mais bonito, acreditem!) e a segunda é porque ele tinha uma comunicação incrível com crianças... ou com ela, especialmente.
Quando percebemos ele já estava sentado na nossa mesa, onde estávamos eu e a família do pai de minha filha. E foi a minha sogra (Que fique claro que não existe ex-sogra, viu gente? O negócio é acumulativo!) que o convidou para terminarmos o happy hour na casa dela, como de costume. E ele foi.
Ficamos lá, todos reunidos, conversando e dando risada.
Ele tinha logo de cara um jeito todo envolvente. Beijou todas as mulheres da família com um beijo na mão, o que deixou todos os homens de lá absolutamente enciumados e cheios de críticas ao estranho!
E como provocou o encantamento nas mulheres, assim o fez com minha filha, que não conseguia deixar de expressar a imensa felicidade por ele estar lá.
Ela disse: "Mamãe, você pode casar com ele?"
E ele deu uma risada saudável e explicou de uma maneira simples que eu não tive capacidade de fazer naquele momento: "Primeiro sua mamãe precisa me conhecer melhor, tá?"
E teve a sensibilidade de esperar ela dormir para ir embora.
Como ele não tinha carro, ofereci para leva-lo embora. Ele não aceitou, disse que gostava de andar e que iria á pé. Por isso só o levei até o portão.
E lá ele me beijou.
Nos beijamos, aliás. 
Nos beijamos por muito tempo e eu sabia que na cabeça dele também se passava a frase: Essa química é rara de acontecer! Muito rara!
E por isso foi muito difícil pararmos de beijar. MUITO DIFÍCIL!! Mas paramos, e ele foi embora.
Depois disso passaram alguns dias, e durante esse tempo minha filha não parava de perguntar dele. E eu também não conseguia parar de pensar nele. Por isso resolvi passar na frente da oficina onde ele disse que o pai dele trabalhava, peguei o telefone e liguei.
Quando pedi para falar com ele não sabia que ele tinha o mesmo nome do pai. E comecei a conversar com o pai dele achando que era o próprio. O pai dele só me esclareceu o engano quando eu disse que a pequena não parava de perguntar dele: "Na verdade aqui é o pai dele. Desculpe não ter dito antes. Mas só de saber que existe uma criança por trás dessa história já fico feliz! Olha, se você conseguir chegar no coração dele de verdade eu vou te agradecer muito! Você pode encontrar ele no Mercadão. Ele não sai de lá! Não faz nada na vida... desde que saiu do hospital!"
E então o pai dele me explicou tudo. O Quase era um cara muito bacana, popular, tinha namorada, era forte, trabalhava e praticava esportes. Mas então sofreu um acidente de moto. Ficou em coma por 10 meses, e quando voltou não quis mais compromisso com nada na vida.
De fato o encontrei no Mercadão. E assim que nos vimos ele veio e me deu um selinho. E disse: "Não consegui parar de pensar em você!".
Falei sobre a minha pequena e ele quis vê-la. O reencontro dos dois foi pura alegria. Ela o convidou para ir até a nossa casa assistir ao "Pequeno Pônei" e ele disse: "Adoro o Pequeno Pônei!! Vamos agora!".
E foi, e em nenhum momento se queixou do programa de giríco em que tinha se enfiado!
Novamente ficamos, porque seria impossível não nos beijarmos. E isso aconteceu, obviamente, sem que a minha filha visse.
A partir de então, sempre que eu queria ver o Quase sabia que ou ele estaria no Mercadão, ou em frente a uma casa, sentado na escada, acenando para cada carro que passava e que ele conhecia.
Quando ficamos juntos sozinhos pela primeira vez, eu já sabia que ele não seria uma pessoa que eu poderia encarar um relacionamento de verdade. Mas eu simplesmente não conseguia evitar a atração eu que sentia!
Nessa primeira vez, assim que ele chegou em casa, disse que queria ficar mais a vontade.
Fui para a cozinha, para pegar alguma coisa pra gente beber, achando que ele estava se referindo a tirar os sapatos. Mas não!
Ele me aparece na cozinha com aquela espada á mostra!
E gente, eu juro! Era uma espada enorme!! Só ele naquele estado é que uma pessoa poderia dimensionar o tamanho daquela coisa!! A tatuagem (sim, pessoas, estou falando de uma tatuagem!) era essa espada ninja que ía do mamilo até a coxa, próximo ao joelho. Então eu vi essa espada e levei um susto!
E também levei um susto pela intimidade imposta por ele assim, como se nos conhecêssemos há anos.
Lembro que em um momento de carinho eu passei a mão na cabeça dele e senti a deformidade do acidente. Não dava pra ver, só para sentir. Mas ele não falou a respeito.
Sempre que nos encontrávamos ele vinha e me pegava no colo, estivéssemos nós onde estivéssemos, estive eu ao lado de quem quer que fosse. Ele me bancava, da maneira dele.
Lembro de duas frases muito significativas. Uma foi "Se eu quisesse de fato construir uma vida perfeita com alguém seria com você e com a pequena!" e a outra foi quando um dia eu tinha ido dar comida para minha cachorra e ele ligou para alguém e eu ouvi: "Você já conseguiu meu doce?". Quando eu o questionei sobre o doce que ele estava usando disse que não era LSD, como eu estava pensando.
Sabia que era, mas fingi que tinha acreditado nele.
Foi quando eu voltei a roer minhas unhas. Antes disso elas estavam enormes, esmaltadas, uma beleza!
O tempo foi passando e o comportamento dele foi ficando cada vez pior. Sempre que eu o encontrava ele não conseguia mais conversar naturalmente.
E sempre que minha pequena o via eu não podia mais deixar que ela chegasse perto dele, porque ele estava muito louco!
Expliquei para ela que ele estava doente, que estava se drogando muito.
E ela só disse: "Que pena, Mamãe. Espero que ele sare logo e que ele não fique feio e banguela que nem a Amy Winehouse."
Da última vez que eu o vi ele estava sentado no chão conversando com uma parede.
Esse fim de semana soube, por uma amiga em comum, que a irmã dele disse que a família não sabia o que tinha acontecido com ele, que ele tinha desaparecido. Que já tinham o procurado por todos os lugares.
Ele simplesmente desapareceu.
Ele me dizia que um dia ele pegaria uma carona na estrada e iria embora para o Sul.
Espero que seja isso que tenha acontecido. De verdade.
Espero que ele não tenha acabado como a Amy.
Peço desculpas a todos vocês que acompanham o blog e que adoram as histórias por elas serem sempre divertidas.
Acho que essa não foi o caso.
Acho que é porque não poderia.
É sempre triste ver alguém que se perde e não acha o rumo de volta!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O AMIGUINHO

Eu estava numa fase bastante centrada quando conheci o Amiguinho.
Estava no ápice da minha força de vontade em me exercitar e emagrecer. Não comia gordura e nem unhas, se não me engano.
Conheci ele através daquela amiga minha, a prima do Sr Whisky. 
No caso do Amiguinho, ela não relutou quando pedi que marcasse uma cerveja com ele naquele fim de tarde. E para minha alegria ele topou de cara.
O Amiguinho é o que podemos dizer que faz meu tipo. 
Na verdade, mais do que isso, ele é o esteriótipo dos homens que eu, sem querer, acabo me atraindo. Loiro, olhos azuis, branquelão. Bonito. Nada estonteante, mas bonito.
Quando nos encontramos naquele fim de tarde, ficamos um bom tempo batendo papo, eu, ele, um amigo que ele tinha levado, minha amiga e o namorado dela.
Foi só na hora de irmos embora, na despedida, que ele me beijou. 
E o que era pra ser uma despedida virou o começo da noite. 
Minha amiga e o namorado foram embora e eu, ele e o amigo dele fomos para outros lugares para tomar algumas saideras.
Honestamente não me lembro exatamente o porquê que na ocasião minha filha não estava comigo, mas o fato é que se passaram 4 dias entre o nosso primeiro beijo e o nosso primeiro beijo de tchau.
Não sei se me fiz entender. 
O que eu quis dizer é que passamos 4 dias juntos, sem desgrudar.
Sim, amigos que acompanham esse blog... UM RECORDE!!! 
Durante esses dias, um clima de romance, aconchego, e diversão gostosa estava instaurado.
Ai, que delícia é esse encantamento inicial, né não?
Pode começar a tocar "Have You Ever Really Loved a Woman", por favor...


A gente pedia comida, e dávamos colheradinhas na boca um do outro. Assistimos comédia romântica deitado de conchinha. Saímos durante esses dias para nos exercitar juntos. Brincávamos de Jiu-Jitsu... tá, acho que essa não é uma brincadeira tão comum entre os que estão iniciando uma relação, mas eu confesso: adoro brincar de Jiu-Jitsu. E nos momentos mais comedidos, falávamos sobre nossa vida. Sobre as dificuldades, sobre os dissabores amorosos, sobre as vontades para o futuro.
Quando a vida teve que voltar á rotina, ele me mandava mensagens me chamando de linda, dizendo que sentia saudades.
Então combinamos de nos vermos num fim semana, poucos dias depois daqueles quatro dias.
Deixei minha filha na casa dos avós, me arrumei, me perfumei, e fiquei esperando ele.
Ok. Pode parar a música agora. Obrigada Bryan Adams por sua enorme contribuição. 
Ele não apareceu. Quando eu liguei, por causa da demora, ele me disse que já estava na rua, com os amigos. Eu disse: "Ok, mas você não vai passar aqui?", ao que ele repetiu: "Já estou na rua com meus amigos, Linda! Beijo e boa noite!"
Fiquei chateada. Mas também não era para menos.
Passaram alguns dias e ele me ligou. Já era tarde, e eu estava com minha filha. Aí disse que não tinha como encontra-lo, mas que combinaríamos um outro dia.
Quero fazer uma pequena pausa na história para explicar uma coisa: apesar do medo latente dos caras de terem que assumir uma família logo de cara só porque eu tenho uma filha, eu costumo ser muito clara: só vai conhecer minha pequena se o assunto for sério. Antes disso não! Se contentem com fotinhos dela. Por isso, quando estou com ela, não estou com cara nenhum. 
Pronto. Voltando...
A coisa toda foi se dando assim... quando ele me ligava, geralmente em cima da hora do convite, eu me descabelava para deixar minha filha com os avós para poder vê-lo. Quando eu ligava ele não podia. Na verdade, ele nunca, eu disse, NUNCA me encontrou por um chamado meu. Mas até então eu não estava dimensionando isto de fato.
Até que teve um feriado. Eu teria que trabalhar. Por isso minha filha foi viajar com os avós. E por eu ter que ir trabalhar ele disse que ficaria o feriado viajando com os amigos. Disse para ele aproveitar, pra se divertir, mas que eu sentiria saudades. Ele disse que também.
Ao longo do feriado nos falamos apenas por mensagens de texto. Todas com conteúdo similar a "queria tanto estar aí com você!" "que frio está fazendo, bem que podíamos estar juntinhos", de ambos os lados!
Meu trabalho foi bastante rápido, de modo que passei o feriado sozinha.
Na segunda, falando pelo bate-papo do Facebook, ele disse: "Passei o feriado com frio... aqui nunca tem um meio termo, né? Ou faz muito frio ou faz muito calor."
Peraí.... AQUI?? Aqui onde??
É amiguinhos... ele não foi viajar... passou o feriado falando que tinha ido, mas não foi.
Brigamos. Quer dizer, eu briguei. Ele, sem a menor modéstia, não era inteligente o suficiente para contra atacar minhas afirmações. Somado ao fato de que mentira tem perna curta e é coisa de criança.
O que ele me falou? 
Ele disse que tinha deixado claro para mim que seríamos só amigos. Que ele estava focando a vida dele no lado profissional. E que ele não tinha cabeça para se envolver com ninguém. Mas que gostava muito de mim, e que não queria perder nossa amizade. Que eu era (vejam que honra!) a melhor das amigas que ele tinha.
OI??? Em que momento isso foi acordado?? Quantas "amigas" ele tinha???
A pior coisa que um homem pode fazer a uma mulher é subestimar sua inteligência. 
E ele, amiguinhos, faz isso muito mal!
Depois disso, ele passou a me ligar compulsivamente, mas eu não atendia.
Um dia eu estava em casa e ele apareceu. Minha filha estava comigo. Eles se conheceram. E ela, dada como ela só, não se fez de rogada e quis fazer amizade com o meu Amiguinho.
Foi a única vez que eles se viram. Claro!
Depois disso a coisa esfriou. 
Teve só mais uma vez que ele apareceu bêbado na minha casa, já de madrugada, e me acordou. Não sei se é sina, costume dos homens do interior, ou uma baita falta de educação mesmo, mas o fato é que os caras acham que podem passar bêbados na minha casa de madrugada. Dispensei e no dia seguinte dei um esculacho leve.
Vira e meche eu encontro o Amiguinho por aí.
Nesse fim de semana mesmo. Nos cumprimentamos e ele disse, entre outras bobagens, na maior cara deslavada: "Tentei te ligar!". Vendo minha cara de interrogação ele completou: "Cara de pau eu, né? Não tentei não....". E deu risada.
Dei risada também. 
Tem gente que não dá pra levar a sério.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O VIRTUAL

Quero, antes de qualquer coisa, deixar claro que essa história pode servir também de um ótimo guia de "como não fazer uma relação virtual virar um fracasso total!".
Certo dia resolvi tentar achar um namorado através de um site de relacionamentos.
As razões para essa minha decisão foram muitas, além das unhas roídas, claro. Estava trabalhando muito, sem tempo para nada, tinha me mudado de cidade e quase não conhecia ninguém, e com isso minha vida social estava nula, pra não dizer um fracasso. Além disso tinha o agravante de ser mãe solteira. Isso, acreditem, assusta bastante os homens, que já se enxergam tendo que administrar uma vida familiar antes mesmo de ter aproveitado o início descompromissado dos começos de relação.
Conhecer uma pessoa ao acaso, numa balada por exemplo, pode não levar a nada... na maioria das vezes não leva.  E achar alguém que tenha paciência para conhecer o seu mundo, suas características, o que você gosta, o que você não gosta, o que você é capaz de suportar por amor, seu gosto por filmes, comida, passeios, enfim, toda essa complexidade que forma um ser humano, nesse mundo imediatista e exigente, está  mais para Missão Impossível 4, sem o Tom Cruise.
Um site de relacionamentos pula algumas dessas etapas. Está tudo lá. Se te interessou, você sabe exatamente onde está se metendo. A não ser que tenha o azar de pegar alguém que mentiu.
A primeira dica que deixo: Façam como eu... paguem para entrar num site.
Não acreditem que vão achar alguém sério num desses sites gratuitos. Esses aí são muito mais um classificado de mulheres carentes e homens pegadores a procura de diversão.
No site em que eu entrei eu poderia pagar por um mês de uso, três meses, seis meses ou um ano. Um mês poderia ser pouco... seis meses ou um ano, para mim, demais... três meses foi minha escolha. Teria tempo para analisar os candidatos, e ver como o troço funcionava de fato.
Uma vez que paguei o boleto, que imprimi e que fiz questão de pagar no caixa eletrônico para que ninguém visse do que se tratava, fui para a etapa 2: o questionário.
Antes de falar do questionário devo fazer uma ressalva. Apesar da decisão de entrar em um site de relacionamentos ter me parecido sensata, eu morria de vergonha de dizer isso para qualquer um... o que me acalmava era o fato de que no site eu encontraria pessoas na mesma situação que eu, logo, ninguém lá poderia tirar um barato da minha cara!
Pois bem. Passei dois dias preenchendo tudo. Da forma mais honesta e detalhada possível. E mesmo que eu não quisesse... gente, até eu me conheci melhor respondendo aquele mundarél de perguntas. Sobre mim, sobre o que eu espero de um companheiro. Foi lá que eu descobri que não suportaria um homem que falasse sobre suas fezes com o meu círculo de amigos, por exemplo. Definitivamente não suportaria.
Tinham questões dissertativas e de múltipla escolha. As de múltipla escolha, ao contrário das provas da escola, eram mais difíceis. E tinham aquelas em que te era dado uma afirmação e você tinha que marcar o quanto concordava com aquilo, numa escala de zero a dez. Muito difícil, quando não se pode justificar o porquê.
E aqui vai minha dica 2: sejam sim absolutamente honestos em tudo! Senão é jogar tempo e dinheiro fora.
Depois do detalhado questionário respondido, da minha foto publicada (isso me deu medo!), comecei a receber algumas mensagem de homens interessados no meu perfil.
E fiquei pasma ao ver que eram homens bastante interessantes.(Até porque éramos sugeridos por uma espécie de mapa trassado pelo site que cruzava as informações de interesse de ambos os lados!) Os motivos para estarem lá eram os mais variados, mas também bastante coerentes.
Com o passar do tempo, de todos os homens interessantes que eu bati papo, optei por um.
O Virtual era um homem da minha idade, Caucasiano, não era lindo, mas numa escala de zero a dez eu daria 7,5, (peguei a prática, como podem ver!) professor de Geografia de uma renomada e importante universidade pública de São Paulo (hehehe), judeu (mais hehehe), e super virtualmente romântico! (Tenho a impressão de que se eu falar mais sobre ele, e se o acesso ao blog continuar assim, podem descobrir quem ele é, então paro com meu sadismo por aqui!)
Me mandava poemas, músicas, me enchia de mimos virtuais.
Lá estava eu, virtualmente apaixonada!
Passamos do site para o Facebook. E do Face para o telefone.
Ficávamos horas e horas ao telefone. Falando sobre tudo. Ele, um cara super inteligente, empreendedor... fascinante naquele começo, não posso negar.
Chegou a me pedir em casamento, pasmem. E eu aceitei, pasmem mais ainda. Sem nunca termos nos visto pessoalmente.
Chegou então o momento de finalmente vermos nossas fuças.
A essa altura já nos falávamos há uns 3 meses.
Fui para São Paulo, especialmente para a ocasião, conforme combinado com ele anteriormente.
Frio na barriga. Mão suando. Tremedeira. E se não tiver química??
E quando cheguei, liguei. E ele não atendeu.
Liguei de novo. Nada.
Deixei recado. Cri-cri-cri...
No dia seguinte repeti o procedimento. Nada.
No outro dia voltei. Sem aquelas sensações deliciosamente esquisitas e desagradáveis.
O lugar delas, dessas sensações, foi ocupado pela Senhora Decepção, Senhora Frustração e Senhora Tenho um Post It de Idiota na Testa.
Fiquei em silêncio, para ver até onde aquela falta de educação iria. Eu entrava no bate papo, e lá estava ele, on line, e num silêncio ainda maior que o meu.
Acho que ficamos nos vendo assim por uns três dias. Até que eu, que sou mulher, obviamente não aguentei e mandei um esporro em Arial Fixa perguntando que tipo de pessoa ele era para ter feito eu perder meu tempo. Só me respondeu com um "meu pai morreu. Desculpe minha ausência."
Pensam que eu me comovi?
NUNCA. Mandei um esporro maior ainda, desta vez em Negrito, Itálico e sublinhado, dizendo que aquilo não me tocava, visto que ele poderia ter me falado sobre isso, e que eu seria a primeira pessoa a dar meu ombro se ele tivesse o tivesse feito. (E teria mesmo, se isso de fato aconteceu!) E exclui ele do meu facebook.
Passaram alguns dias e as Senhoras me deixaram e eu passei a me questionar se eu não tinha sido um tanto cruel. E se de fato o pai dele tivesse morrido?
Voltei a procura-lo. E pedi desculpas. Honestamente. Ele demorou, mas aceitou.
Voltamos a nos falar lentamente mas não tardou para que estivéssemos de novo na maior intimidade.
Mais uma vez fui a São Paulo. Desta vez por motivos profissionais. Liguei para ele. Ele não atendeu. Mandei uma mensagem. Ele não respondeu. Mas como estava a trabalho fingi (eu disse FINGI!) que não tinha dado importância.
Um tempo depois ele disse que ficaria um tempo fora. Iria com a Mamy dele para um cruzeiro, para ajuda-la a superar a dor da perda do pai. Iriam pela costa brasileira e depois seguiriam para a Grécia.
Achei ótimo, disse que ele tinha mais é que espairecer, e completei dizendo que sentiria saudade de falar com ele nesse tempo em que ele estaria longe.
Mas nem senti saudade não.
A internet dele devia ser muito boa.
Tipo, com certeza não era um modem da TIM.
Digo isso porque durante todo o tempo da suposta viagem ele ficou na internet, on line, do suposto navio. Foram 40 dias, em alto mar, falando comigo pelo chat do facebook. Eu fingia que aquilo não era no mínimo esquisito... perguntava sobre as cidades que ele estava, sobre como estava o clima... e ah! Como a Grécia era linda!! Ainda não entendi em que momento ele saiu do computador para ver tudo o que me descrevia... ou vai ver que foi fazendo o tour com o computador na mão, tamanha era a paixão por mim... enfim. Pedi para ele me mandar algumas fotos, mas ele só me mandou um vídeo com uma sequência esdruxula de pessoas levando tombos... uma espécie de vídeo cacetadas punk. Seria uma indireta? Vai entender...
Quando ele voltou (hehehe) combinamos de nos encontrar novamente.
Mais uma vez passamos horas ao telefone e marcamos. Na verdade, naquele dia nos falamos ao longo do dia todo por várias vezes, por muito tempo.
Um dia antes de ir, desta vez, liguei para ele.
Adivinhem??
Sim, ele não atendeu.
Mandei um recado desta vez bastante centrado e nada histérico: "Sua bipolaridade é assustadora!"
Exclui de vez do facebook. Ele nunca mais entrou em contato.
Nossa conturbada relação virtual durou cerca de 10 meses.
E porque entre tantas opções eu não escolhi o engenheiro bonitão, o dentista moreno alto ou até mesmo aquele pediatra viúvo, pai de dois filhos?

E eis aqui minha conclusão e dica mais importante: NÃO OPTEM POR UM.
Experimentem todos.
Exatamente. Experimentem todos, e só então cheguem a um veredito.
Como não foi o que eu fiz, eis aqui mais uma das minhas tragicomédias!









segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SR WHISKY

A primeira vez que eu vi o Sr Whisky foi de sopetão.
Eu estava com uma amiga dentro do carro dela, indo tomar um café rotineiro no meio da tarde quando ela passou por ele e buzinou. Deu um breve tchau e mandou um beijo. Ele retribuiu.
Era primo dela, ela esclareceu.
Foi um daqueles momentos onde, nos filmes, tocam os sininhos e depois a cena se repete em câmera lenta mais algumas vezes no decorrer do mesmo.
Lindo. Lindo de verdade. Não dessas belezas em que a pessoa tem que se esforçar para ficar bonita. Não era a roupa, não era o cabelo. Era ele!
Como a cena se deu em câmera lenta mais algumas vezes no meu cinema mental, sabia que ele estava, inclusive, vestido de maneira bastante esculachada para os padrões atuais da moda.
Mas como era bonito...
Pedi para minha amiga me apresentar.
Ela não se aprofundou no assunto e o tempo foi passando.
Achei o Sr Whisky no Facebook e passei a conhece-lo dessa maneira.
E foi nessas visitas que eu percebia o quanto tínhamos em comum.
O mundo virtual nos permite essas insensatezes.
Pedi para minha amiga me apresenta-lo mais algumas vezes. 
Certa vez lembro-me dela dizer que ele não era um cara para mim, porque ele era “muito livre”. 
Isso me soou perfeito!
Acho que a maior lição que tiro depois da minha separação é que o amor é livre, e duas pessoas só podem estar juntas e felizes se podem ser livres, principalmente para serem elas mesmas. Estar com o outro é o maior exercício de liberdade que devemos nos proporcionar. (Pensem nisso!)
Voltando ao Sr Whisky...
Passei um ano pensando nele. Um ano inteiro.
Obviamente que não passei esse um ano casta, mas essas são outras histórias que devo postar mais tarde.
Um belo dia, ou melhor, uma bela noite, resolvi  bater um papo reto com Deus.
Farei aqui um resumo, porque todo papo reto com Deus dura um bom tempo, mas na minha oração eu disse:
“Senhor, (longuíssima introdução!) (Longuíssima explicação!) O Senhor poderia me dizer por que cargas d’água eu não encontro com o Sr Whisky, por exemplo? O Senhor sabe que penso nele por mais de um ano. Senhor meu Pai... ponha o Sr Whisky na minha frente, por favor! (Longuíssima finalização!) Amém”.
No dia seguinte tinha combinado de ir a um barzinho com um casal de amigos para assistir á final do jogo do Timão. (Não iremos aqui discutir futebol, por isso me dou ao direito de chamar meu Corinthians assim, e creio que não perderei leitores por conta disso!)
Eu fui bonita. Fui bonita para mim. Acho que tinha até unhas compridas!
Na mesa ao lado tinham umas pessoas, e um dos caras da mesa atendeu ao telefone. Ele falava bastante alto, por isso pude rapidamente perceber que ele estava falando com o Sr Whisky! Tive certeza quando ele comentou sobre uma foto com pinta de modelo que ele tinha postado!
Rapidamente entrei em contato com o Divino:
“Senhor, eu disse que queria ele ao meu lado... mas eu me referia a ele pessoalmente, e não ao telefone. Por favor Senhor, traga ele aqui!”
O rapaz desligou o telefone e eu fiquei a espera.
E ele apareceu.
Nesse momento eu falei com Deus de novo:
“Valeu, Senhor! Deixa que agora eu faço minha parte!”
Ao vivo era exatamente a representação da cena em câmera lenta que eu vi e revi ao longo de um ano todo.
Fingi que não me importei, mas quando nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, ele abriu um lindo sorriso e veio em minha direção.
Um oi aconteceu... não sei quem falou primeiro. Só sei que eu fiz uma cara de “te conheço de algum lugar” (Ah tá, cê jura???) e disse:
“Você não é o Sr Whisky?”
(Nessa hora eu acho que Deus deve ter falado: “É claro que é, Menina... não era por causa dele que você não me deixava em paz???)
E ele respondeu:
“Sim, sou eu. E você é a Ju Paié!”
Não é incrível??
Ele sabia quem eu era. Tinha me visto pelo Facebook, imagino eu. Ou a prima dele tinha falado de mim. De um jeito ou de outro, ele sabia quem eu era.
Ao longo da noite batemos papo. E era fato que estávamos felizes por finalmente estarmos conversando. Ele me abraçou algumas vezes. Umas duas, talvez.
Aquela atmosfera de felicidade e excitação (e aqui digo excitação não como conotação sexual, mas como conotação de alegria-extrema-que-não-cabe-no-peito) foi tomando conta de mim, por causa do jogo, por causa dele.
Ele passou a noite tomando Whisky. Acreditem em mim quando eu digo que a bebida diz muito sobre a pessoa. Sem maiores dissertações sobre o tema, agora vocês já sabem porque eu o chamei assim.
Eu tomei cerveja. Me presenteei com uma Norteña... forte, encorpada, e só para ocasiões especiais. (Viu como a bebida diz muito sobre quem a escolhe? rs!)
No fim da noite eu já estava, com o perdão da expressão, chamando Jesus de Genésio!
Meu casal de amigos foi embora, e eu fiquei lá com ele.
Tenho uma vaga lembrança do que conversamos. Tenho uma vaga lembrança de quanto tempo durou. Mas até esse ponto acho que eu estava me comportando, porque ele se prontificou a me acompanhar até o carro.
Agora é que começa!
Sabe quando as mulheres reclamam que muitos homens tem uma conduta abusada logo no primeiro encontro? São aqueles caras que ficam te pegando, te cheirando, forçando a barra e avançando o sinal a 220 km por hora... São aqueles tipos que não se importam muito se estão sendo invasivos. Geralmente o são e provavelmente não percebem que passam dos limites. Uma conduta bastante macho-cho, eu diria! (E porque não dizer também, uma conduta bastante chata-ta na maioria das vezes!)
Pois é, meu povo!
Esse cara não foi ele não.
Fui eu! (Agora é o momento em que vocês abrem a boca e ficam de queixos caídos. E posso até ouvir algum de vocês dizendo: "FALA SÉRIO!")
Sim, eu fui a abusada.
E ele resistiu... ou talvez definitivamente não tenha se sentido em absoluto confortável com minhas mãos de polvo!
Deus deve ter tido um siricutico nesse momento! Deve ter balançado os braços e com a mão característica de um Italiano deve ter gritado:
"PELO AMOR QUE VOCÊ TEM A MIM!! O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO??"
Depois deve ter choramingado: "Minha filha... não sabe brincar, não desce para o Play!"
Fui para casa, e a pedido dele, (dele Sr Whisky, não o Senhor Deus!) mandei uma mensagem dizendo que tinha chegado bem. E completei com um “queria que você estivesse aqui!”
No dia seguinte acordei e tive uma baita ressaca... moral!
Entrei na internet, adicionei ele no Facebbok, e deixei a seguinte mensagem inbox:
(E a mensagem foi exatamente essa... o chamei de verdade de Sr Whisky!)

Ei Sr Whisky!
Tô com a sensação de que ontem acabei sendo saidinha por demais contigo. Mas acredite, consigo ser mais comportada (acho! rs!).
Desculpa se fui invasiva, tá? Ponho a culpa na bebedeira.
De qualquer maneira, me diverti muito!!!! Tu é um cara legal!
Beijo Grande,
Senhorita Norteña

Ele nunca me respondeu.
Nunca mais nos falamos ou nos vimos.
Deveria ter dito que talvez a culpa do meu avanço de sinal tenha sido porque eu tinha esperado por aquele momento por um ano, e que minha ansiedade e sede por ele saiu de uma só vez, e não na medida?
Acho que não... nada justifica um "pega aqui" fora de hora!

O fato é que, esse é o tipo da situação que qualquer um pode passar. 
Se é que já não passou.
Shit happens!
E já diria meu querido Forrest Gump:
"E isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso."



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O ZONA SUL


Por causa desta história fiquei absolutamente cotoca de unhas.
Já o conhecia há alguns anos. Ele era ex marido de uma amiga, mas na realidade nunca fomos de fato próximos. Depois da separação deles perdemos contato.
Muito anos se passaram até o reencontro, que se deu de forma virtual.
As nossas primeiras conversas aconteceram de maneira despretensiosa e eu confesso que até me espantava com o tamanho do carinho que ele dizia sentir por mim.
Conforme o tempo foi passando, os bate papos passaram a durar horas... também trocamos telefones, e a coisa toda fluia como um rio sem pedras.
Ficamos nessa por um bom tempo.
Um dia, em uma visita a São Paulo, decidimos nos encontrar.
Fomos a um café na Zona Sul.
Quando o encontrei fiquei ainda mais embasbacada...Não me lembrava dele tão bonito! Um homem maduro, e estava absolutamente bem vestido para a noite de frio que fazia. E cheiroso. Escolheu para mim o chocolate que eu deveria beber. Era divino. (Agora estou falando do chocolate!)
Conversamos numa atmosfera quase sensual.
Eu também estava me sentindo no mínimo interessante naquela ocasião.
Nos despedimos com um forte abraço, desses que você fica sentindo o outro e poderia ficar ali caso o mundo fosse terminar em trancos e barrancos.
No dia seguinte o tom da conversa já era outro.
Eu estava em um trabalho e nas minhas pausas, entrava na internet para poder falar com ele. E ele me dizia coisas como: “Fui dormir ontem com seu cheiro”, “preciso te ver de novo”, “Pequena, como você é linda...”
As piadinhas com conotação sexual estavam quase pulando das telas de nossos computadores. Não podíamos mais esperar.
Então nos encontramos novamente, dois dias depois do nosso primeiro encontro.
Desta vez em um barzinho na Zona Sul. Charmoso... o barzinho. Ele também, não podemos tirar seu mérito!
Desta vez ele escolheu a cerveja.
Não sou muito fã de cerveja preta, mas estava frio, então achei que poderia ser uma boa pedida!
Depois de algumas, vendo que o flerte não desenvolvia, eu, como uma mulher de atitude que sou, (e volto a dizer que ainda não sei se isso é uma vantagem!) peguei em sua mão e fui me aproximando lentamente de seu rosto, com um sorriso disponível, e quando eu estava pronta para beija-lo, ele suavemente disse: “Não faça isso!”
Por alguns segundos tive uma sensação de surdez!
Só consegui perguntar: “Oi?”
Ao que ele repetiu: “NÃO FAÇA ISSO!”. Desta vez em tom mais lento, quase explicativo.
E então, vendo que de fato não era para beija-lo, fiz a pergunta certa: ”Porque??”
E ele não me explicou. Disse apenas que ele já tinha ficado com uma amiga e que o caso não tinha dado nada certo. E eu ali, sem entender, comecei a perguntar coisas para ele, que devido a situação eram perguntas bastante honestas e coerentes, ao meu ver. E já que éramos amigos, aí sim é que eu me dava ao direito de perguntar. “Eu entendi errado?”, eu perguntava. E ele não me respondia. “Eu fiz alguma coisa?”, e ele não me respondia. E quanto mais eu perguntava, menos ele me respondia. E ele foi ficando irritado. E eu resolvi reverter a situação. Lembro-me claramente de dizer:  “Quer saber, deixa isso pra lá. Se você não quer me explicar eu não vou ficar querendo entender. Vamos curtir a noite que foi para isso que viemos!”
E aos poucos o estranhamento foi indo embora e a gente voltou a dar muita risada, a conversar, a brincar, como se nada tivesse de fato acontecido.
E continuamos na cerveja preta no barzinho da Zona Sul.
Ele tinha no lugar alguns amigos que lá trabalhavam, e logo eu já estava integrada na turma. No fim da noite o bar fechou, mas continuávamos lá dentro, os novos velhos amigos, eu, no colo dele, batendo papo. Uma amiga (nossa?) perguntou se eu era sua namorada. Com o grau etílico no nível onze, considerando uma escala de zero a dez, respondi prontamente: “Ele não me quer!”. Ele rapidamente corrigiu: “Como não quero? Você está aqui, no meu colo, comigo!”
Quando todos resolveram ir embora ele disse: “Dorme comigo?”
“Onde você mora?”, perguntei sei lá porquê.
Ele: “Zona Sul”.
Na minha cabeça alterada pela cerveja preta a Zona Sul era um bairro... não uma zona de São Paulo. Na verdade, não era essa a minha preocupação... Eu queria sim ir dormir com ele. E fui.
Não me lembro do caminho, lembro que demoramos muito para chegar.
O que aconteceu a seguir é bastante íntimo, mas eu não contaria se não fosse igualmente bizarro.
Fomos ao seu quarto. Eu fiquei quase comedida, apenas de calcinha e sutiã. Ele de cueca.
Ele me mostrou seu livro de cabeceira. Desses que a gente lê e relê ao longo da vida. Acho que lemos um pouco do livro. Buda. Ou Gandhi. Algo do gênero.
Deitamos e ele disse: “Podemos dormir de conchinha?”
O que mais uma mulher poderia querer depois de uma noite de amor????
Só o que eu não sabia é que quando ele me pediu para dormir de conchinha era exatamente isso que ele queria fazer: DORMIR.
Eu deitada, de conchinha, abraçada, praticamente dançando “A nova loira do Tchan é linda, deixa ela entrar...” ao que ele diz suavemente no meu ouvido (sim, ele me castrava de maneira suave!): “Shhhiu, shhhhiu, fica quietinha e dorme!”
Fiquei indignada! Indignada! Indignada!
Levantei e fiz uma cena. E ele sorria e dizia com uma calma absolutamente irritante, até para quem estivesse sóbrio: “Tinha que ser geminiana, né? Vem cá, vem... vem dormir quietinha aqui comigo...”
Eu falei que ía embora. Mas não fazia ideia de onde eu estava. E devia ser muito tarde. Eu só sabia que estava na Zona Sul. Numa Zona Sul muito longe de qualquer Zona Sul que eu conheça até hoje.
Dormimos. De conchinha, pasmem!! Eu extremamente magoada e regeitada. Em estado catatônico!
Tivemos uma noite terrível. Nós dois passamos muito mal.
Hoje sei que mais do que a cerveja preta, o mal estar se deu principalmente pela situação constrangedora e humilhante.
No dia seguinte eu ainda estava catatônica. Ele me pegou no colo, mais uma vez, enquanto eu esperava um taxi, e disse: “Pequena, você é uma mulher incrível! Eu amo você! Não vamos demorar para nos vermos de novo!”
Nos falamos depois mais algumas vezes, primeiramente com muito ressentimento de minha parte, e posteriormente com uma certa irritação da parte dele, creio eu. O fato é que meu espírito sarrista me impediu de leva-lo a sério para sempre. Sempre que conversávamos eu não podia deixar de fazer uma piada bastante cínica sobre aquela situação.
Ele nunca me explicou o porquê daquela crueldade. Porque sim, até hoje acredito que seduzir alguém para menospreza-lo depois é puramente uma crueldade.
Depois disso fiquei muito tempo desacreditada de mim. Tinha certeza de que era muito feia e mais que isso, nada desejável. Demorei muito, muito tempo para me recompor.
Mas me recompus. E conclui:
1-      A Zona Sul é enorme. Da casa dele ao meu destino, que também era na Zona Sul, eu gastei 50 reais de taxi.
2-      Não interprete livros de cabeceira de maneira equivocada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O SEM NOÇÃO


Este de fato merece esse codinome: O SEM NOÇÃO!
Conheci o Sem Noção porque sempre que eu saia de casa ele estava no bar da frente me olhando. 
Com o passar do tempo passou a me comprimentar, assim, de longe.
Foram algumas semanas nesse ritual.
O Sem Noção não era de todo mal.
Não faz meu tipo, mas quando não se tem unhas, não se exige muito também.
Afinal... porque condenar sem antes conhecer?
Ás vezes a pessoa pode acrescentar na sua vida, certo?
Errado. Nem sempre é assim.
Um belo dia, ou melhor, noite, já tarde da noite aliás, ouço um carro barulhento dando voltas e voltas no meu quarteirão.
Ele deve realmente ter dado voltas e voltas, porque eu demorei a perceber a insistência do motor barulhento.
Detalhe: ele tem o carro rebaixado! (Na verdade tinha, mas volto nisso mais tarde!)
O fato é que eu sai da varandinha e vi que era ele.
Não me fiz de rogada! (Acho que esse é um problema sério meu!)
“Vai ficar dando voltas no quarteirão até quando?”, perguntei.
Ele parou o carro e disse que queria me conhecer.
O Sem Noção é 10 anos mais novo do que eu. E naquele momento me disse não ter ninguém. E por ter 10 anos a mais que ele, fingi acreditar.
Ficamos conversando no portão.
Ficamos.
E então, por alguma razão bem sem noção, ele resolveu confessar que tinha sim namorada.
Sou do tipo antiquada neste quesito: Não fico com homens comprometidos.
Claro, isso já aconteceu, mas a maturidade tem lá suas vantagens.
E ser o outro lado da moeda não é nada, nada, nada agradável.
Então eu não fico. E deixei claro.
Nos despedimos com a promessa de sermos amigos.
Uns três dias depois o Sem Noção me ligou. Me chamou para tomar uma cerveja. Aceitei. Que mal poderia haver, já que tinha deixado claro para ele a minha postura?
Não sabia que ele se tornaria o Sem Noção.
Fomos tomar a cerveja e ele tentou me beijar. Ele tentou me beijar muitas vezes. Até que eu cansei e acabei a noite com uma terrível cara de mal humor.
Algum tempo depois eu acordo de madrugada com o Sem Noção me chamando na porta de casa. Acredito que deviam ser umas 4 da manhã. Estava mais mamado do que bezerro gordo. Como ele mora na mesma rua, falei com bastante clareza e com uma calma quase incomum que era tarde, que ele estava bêbado, e que ele deveria ir.
Como todo bêbado que se preze ele chorou.
Me contou que a polícia já tinha parado ele numa blitz, que por causa disso a namorada tinha ficado puta, que ele precisava dormir.
E eu, com minha gigantesca educação, disse que isso seria muito bacana da parte dele, já que ele estava a apenas alguns metros de sua casa.
Contrariado o Sem Noção foi.
E bateu o carro diretamente no carro do vizinho, acabando com ambos. Em menos de 200 metros ele destruiu dois caros!! (Viu porque o carro dele ERA rebaixado?)
Minha grande sorte foi que ao me despedir, entrei em casa e me joguei na cama. De forma que eu de verdade não ouvi a batida.
Um tempo depois ele voltou, para me pedir desculpas. Disse que tinha perdido a noção (imaginem vocês!) e que isso não viria mais acontecer. E como ele é o Sem Noção, tentou me beijar. Desta vez eu simplesmente despachei a oferenda!!
Acham que acaba por aí?
Não, meu povo! Ele é o Sem Noção!
Faz pouco tempo eu acordo as cinco da manhã com o Sem Noção batendo na minha janela, me chamando baixinho... “Ju... Ju... acorda, abre pra mim!”
Me levantei da cama sem entender. Perguntei quem era. Ele disse ser o sem noção que é. Eu expliquei pela janela mesmo que eram cinco horas da manhã, que eu estava doente e pedi que ele fosse embora.
Deitei em minha cama novamente, fechei os olhos... e quando estou quase domindo novamente eu ouço: “Ju... Ju... abre pra mim... sou eu!”
Levantei como um tiro. Sono e raiva juntos podem ser pior do que TPM, acreditem.
Corri até a porta da minha casa, chamei ele, que chegou cambaleando e a partir desse momento a vizinhança inteira deve ter descoberto que ele era um sem noção.
Dentro dos inumeros palavrões e baixarias que falei, disse também que chamaria a polícia.
Foi nesse momento que o Sem Noção se pôs a correr.
Mas correu de verdade.
Correu rápido e com os braços frouxos.
Foi como se o morto muito louco estivesse em uma maratona.
E deve ter ouvido os meus berros ainda quando estava entrando na casa dele.
Encontrei ele dois dias depois. O Sem Noção me abriu um sorriso.
E eu juro que não sabia que tinha aquele olhar. Mas foi tão fulminante que eu não consegui reproduzir depois no espelho.  Ele ficou até pálido.
Tomara que ele tenha alguma noção dentro da não noção dele!
E espero, de verdade, que esse seja o fim dessa história... sem noção!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O BARBICHINHA


Manja o tipo Pagodeiro?
Cabelinho moldado no gel, corrente dourada no pescoço, regata e bermuda, meia soquete e tênis (supostamente) de marca?
Então.... tinha um apelido semelhante a Barbichinha.
Chamavam ele desta forma porque o pai era chamado por todos de Barbicha... logo...
Vamos chama-lo assim.
Ele foi apresentado por amigos em comum, que sabiam da minha extrema carência.
Quando estamos assim, carentes, nos propomos a experimentar diferentes realidades.
E foi o que eu fiz.
Barbichinha devia ser uns 10 anos mais novo do que eu. 
Mas bebia como se tivesse 10 anos a mais.
Fomos a um desses botecos bastante... botecos. Desses sem o menor glamour.
A noite foi passando e era impressionante a capacidade que o Barbichinha tinha de falar extremamente alto e sozinho.
Resolvemos finalizar o encontro com a saidera. (Sim, eu ainda enfrentei a saidera.)
O que eu não imaginava era que num lapso de romantismo ele se disporia a me levar em casa.
Feliz e aliviada fui orgulhosa até o carro dele.
Cheguei e me deparei com um desses carros que não se sabe se existem rodas, de tão rebaixado que era. E não havia espaço para mais do que duas pessoas, devido ao tamanho do som que o Barbichinha tinha instalado naquele veículo.
Me deu medo.
Assim que o carro ligou entendi... nunca, na minha vida inteira, nem nos meus shows de rock mais pesados eu tinha ouvido uma música tão alta! 
Agora sim eu entendia o porque que o Barbichinha falava tão alto. Devia ter a audição comprometida pela quantidade de decibéis por metro quadradro daquele carro.
A música? Sertanejo. (Será que funk seria pior?)
Fui rumo a minha casa, como se derretendo no banco do passageiro, não sei se de vergonha ou pela vibração do som.
Me lembro de roer minhas unhas nesse momento, como se buscando algo de familiar naquilo tudo, como se buscasse algum prazer naquilo tudo,  ou simplesmente porque aquilo tudo estava fora do meu controle.
Mas o Barbichinha estava orgulhoso!
Chegamos na minha casa e ele quis por que quis guardar sua preciosadade na minha minúscula garagem, onde já estava o meu carro.
Disse que não precisava, que já estava tarde, que eu agradecia e que ele poderia ir... até outro dia, Querido Barbichinha.
Mas ele sismou.
De fato não queria ficar comigo... era nítido que tinha sido acometido de um súbido pavor de levarem o “my precious” dele, mesmo que fosse por alguns minutos na frente da minha casa.
Tanto Barbichinha fez, que eu, possuida por uma birra louca, ou pela instabilidade emocional que o som dele tinha me causado, que disse:
“OK. Quero  ver você fazer seu carro entrar na minha garagem!”
Sim, quando nos vemos em situações bizarras, agimos da mesma forma!
O que se passou a seguir foi semelhante a colocar um Leão Africano da Savana numa caixa de fósforos. Até a pequena mesa que tenho na caragem foi parar no meio do quintal. A minha cachorra, que nunca tinha visto um carro como aquele, latia desesperadamente como que dizendo: “NÃO CABE, NÃO CABE! JÁ É APERTADO DEMAIS PARA MIM E O CARRO DELA. SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ???”
O carro não coube. Então Barbichinha finalmente entregou os pontos. Tirou o carro da garagem, e depois dessa odisséia, se foi.
Assim. Desse jeito mesmo.
Nem me deu um beijo de despedida.
Me deu uma buzinadinha de despedida, o que para ele deve significar muito.
Eu ali fiquei por alguns segundos parada, embasbacada, sem entender... um enorme silêncio se fez presente. Até a cachorra não se manisfestou mais.
E eu sozinha, com o portão aberto na madrugada.
Depois de tudo, ele nem sequer havia me esperado fechar o portão?
Não soube mais do Barbichinha.
E até hoje me mantenho longe de carros rebaixados.

terça-feira, 24 de julho de 2012

PORQUE "UNHAS" E O FRANCÊS

“Roer unhas (também conhecido pelo seu termo técnico onicofagia ou roeção de unha) é o hábito de morder as unhas dos dedos das mãos ou pés durante períodos de nervosismo, ansiedade, stress, fome ou tédio. Também pode ser um sinal de desordens mentais ou emocionais. As crianças começam a roer as unhas por volta dos quatro ou cinco anos de idade. O termo onicofagia crônica é utilizado clinicamente.” – Wikipédia

Já tentei de tudo: Pimenta nos dedos, esmalte com sabor de cocô, já me estapeei que nem louca varrida cada vez que me pegava com a mão na boca, já encapei os dedos com micropore, esparadrapo e band aid, já fiz promessa. Comecei por volta dos 4 anos de idade sim. Estou com 32 anos. Meu caso é crônico. Não a desordem mental... o roer unhas!! Acho que nunca vou parar de fato. Existem períodos controlados. Mas basta algo sair do meu controle e PUMBA! Lá se vão elas, e os esmaltes, e as mãos de mulher. Fico com vergonha... quando tenho que pegar alguma coisa na frente de alguém, escondo os dedos, com essas unhinhas minúsculas. Ainda sim, quando eu vejo a mão já foi pra boca e lá estou eu, mergulhada num enorme prazer de acabar com qualquer lasquinha que possa existir! Agora mesmo.... escrevo, e nas pausas para ler o que está aqui para vocês, acabo com mais uma delas.

A partir de agora, divido com vocês a razão pelas quais elas não conseguem crescer!
Rir de si mesmo é uma arte. Dividir a piada é terapeutico.

E NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS DE SOLTERISSE FORÇADA...

O FRANCÊS


Ele foi o primeiro.

Foi numa balada.
Num daqueles dias que eu me sentia feliz, bonita, e se não me engano, com unhas.
Ele apareceu de repente e nem me lembro como foi a apresentação.
Achei que eu não tinha entendido o que ele estava me falando pelo volume do som.
Mas não... era francês.
Com o passar do tempo, entre uma química que só poderia ter vindo de um lugar muito distante, fui duvidando um pouco daquele sotaque. Mas pelo nome do rapaz, (tinha nome de animal de estimação) e pelo narigão vestido por um óclinhos estilo John Lennon, era nítido que não era daqui. Seus amigos falavam com ele com um dialéto que definitivamente não era francês... mas voilà!
Isso nem me interessava de fato.
O jeitinho gringo era irresistível... e ele tinha uma beleza bastante exótica.
Eu estava no lucro.
Ele me mostrou que minha insegurança de recém separada era infundada e que sim, eu era, num jeitinho comovente de falar, “uma murrér de ólios grrandes lindos e de bela forrma”.
No dia seguinte nos despedimos.
Com um beijo de filme europeu.
E ele com meu nome, para adicionar no Facebook, e meu telefone.
Ele queria ficar mais tempo comigo. Eu tinha que ir.
Esperei alguns dias algum sinal de fumaça.
Minhas unhas foram aos poucos se despedindo.
Nunca mais soube desse suposto francês, que tinha o nome do gato da minha mãe.