terça-feira, 20 de novembro de 2012

O INTELECTUAL

Acho que foi vendo meus cotocos de unhas que um casal de amigos resolveu me apresentar O Intelectual. Na verdade eu já o havia visto antes numa baladinha, onde esse meu amigo, músico, tinha ido tocar.
Tinha achado ele um homem interessante.
Falei isso para a minha amiga, a mulher do amigo músico.
Na ocasião estava frio, e ele estava vestido de uma forma bastante alternativa.
Homens de cachecol sempre mechem com minha imaginação, não sei dizer o porquê. Além disso, tinha um cabelo castanho quase comprido, bagunçado, no estilo "não ligo muito para meu visual mas é mentira". Barba. Barbas me comovem... um homem de barbas, para mim, é um cara minimamente másculo!! ADORO!! E longe do esteriótipo que dizem dos homens que me atraem, ele era moreno, com uma carinha de índio!
Quando nos encontramos no outro dia, estava calor.
Ele vestia uma camiseta e bermuda, e uma papete que eu teria descartado, mas relevei.
Foi o primeiro cara que olhou para minha tatuagem e disse:
"Ei, é aquele poema... "para os que atravessam meu caminho"...!".
Não declamou o "Poeminha do Contra" do meu Quintana da maneira certa... mas chegou mais perto do qualquer cara até então.
Ele era bonito... de uma maneira bastante específica... é o cara que depende do gosto.
Para o meu, nota 8.
Mas o que me dizia respeito mesmo, é que pela primeira vez em mais de dois anos, eu consegui conversar com um homem sobre absolutamente tudo.
Os assuntos saltavam da caixa de Pandora como surpresas agradáveis... e não se esgotavam. Culinária, política, ecologia, teatro, música, viagens, filhos (ele também separado e pai de um filho!)... em algumas horas uma passada geral em tópicos importantes para verificar a veracidade da capacidade intelectual de ambos.
Foi praticamente um MMA do conhecimento geral. Deu um delicioso empate!
Ele era formado em alguma coisa relacionada a Gestão Ambiental. Era com isso que ele trabalhava, se não me engano.
Dessa vez, ao contrário do que eu havia feito com o Sr Whisky, eu fui de um tanto comedida que até me surpreendi!
Ficou me devendo o nome de um poeta, que ele não conseguiu lembrar na ocasião.
Quando nosso casal de amigos deixou ele em casa, porque ambos estávamos de carona com eles, ele singelamente me deu um beijo no canto da boca, um abraço longo, e sussurrou: "Ei, eu também sou um passarinho!", fazendo menção ao resto do poema da minha tatuagem.
Fiquei encantada! E sim, tinha feito bonito desta vez!
Peguei o telefone dele com o amigo músico, que por sua vez, estava botando a maior fé!
Adicionei no Facebook e deixei um recado.
Ele prontamente aceitou a solicitação, mas não respondeu a mensagem, que dizia algo do tipo:
"Adicionado, Passarinho Também.
O próximo passo é o Song Pop??? rs!
Espero que a vitamina tenha caído bem!!!
Beijos nocê!"
A parte da vitamina foi a respeito de uma vitamina que ele comprou na noite em que saímos... vitamina pós cerveja pode ser perigoso...
Muito tempo se passou até que ele me respondesse a mensagem. Na verdade ele só respondeu por intimidação do nosso amigo, que disse ser mancada deixar o outro falando sozinho.
Na verdade, antes que ele me respondesse no Facebook eu mandei uma mensagem via celular para ele, depois de uma noite que tinha tido um sonho. Escrevi:
"Sonhei com você, e então resolvi dar um oi! Então oi!"
Ele não respondeu também.
Vejam bem... pode parecer a principio, quando eu conto assim tudo na sequência, que eu sou uma mulher que pega no pé. Na verdade, entre minha mensagem no Facebook e a outra no celular, passaram-se algumas semanas, então não me considero pegajosa... eu diria mais desbravadora, embora o outro nem sempre reconheça essa minha coragem.
Passado mais algum tempo ele finalmente respondeu, como eu estava dizendo, a mensagem do Facebook. A resposta que me chegou, depois de tanto tempo foi:
"Caiu sim!
E o poeta do qual falava era Manuel Bandeira!!
Bjs"
Fiquei sem saber se respondia a isso de alguma maneira. O que dizer? O que saiu, em razão de não ser mal educada, foi:
"Ah sim... o senhor que era farto do lirismo comedido!!"
O que eu quis dizer com isso?
Muitas coisas na verdade.
Primeiramente é que de fato o Manuel Bandeira era farto dos lirismos comedidos... a segunda coisa é que ele, O Intelectual em si, era um cara de lirismos comedidos, e finalmente a terceira coisa é que eu sou uma pessoa que não suporta lirismos comedidos.
Tudo isso em um simples trecho de um poema.
Porque os poemas são grandiosos para quem sabe ler suas entrelinhas.
E isso foi tudo.
Um tempo depois meu amigo me disse que o Intelectual disse estar "com o pé atrás com as mulheres".
O que isso quer dizer?
Não sei, honestamente... porque esta frase está muito longe de ser poesia... não existem entrelinhas nela... eu diria inclusive que é uma afirmação bastante suspeita dentro do contexto sexual variante de hoje em dia.
Nunca mais nos vimos.
Mas algo me diz que tanto o Bandeira quanto o Quintana devem ter se estribuchado do lado de lá por terem sido sitados assim, em vão.

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