Manja o tipo Pagodeiro?
Cabelinho moldado no gel, corrente dourada no pescoço, regata e bermuda,
meia soquete e tênis (supostamente) de marca?
Então.... tinha um apelido semelhante a Barbichinha.
Chamavam ele desta forma porque o pai era chamado por todos de
Barbicha... logo...
Vamos chama-lo assim.
Ele foi apresentado por amigos em comum, que sabiam da minha extrema
carência.
Quando estamos assim, carentes, nos propomos a experimentar diferentes
realidades.
E foi o que eu fiz.
Barbichinha devia ser uns 10 anos mais novo do que eu.
Mas bebia como se
tivesse 10 anos a mais.
Fomos a um desses botecos bastante... botecos. Desses sem o menor
glamour.
A noite foi passando e era impressionante a capacidade que o Barbichinha
tinha de falar extremamente alto e sozinho.
Resolvemos finalizar o encontro com a saidera. (Sim, eu ainda enfrentei a
saidera.)
O que eu não imaginava era que num lapso de romantismo ele se disporia a
me levar em casa.
Feliz e aliviada fui orgulhosa até o carro dele.
Cheguei e me deparei com um desses carros que não se sabe se existem
rodas, de tão rebaixado que era. E não havia espaço para mais do que duas
pessoas, devido ao tamanho do som que o Barbichinha tinha instalado naquele
veículo.
Me deu medo.
Assim que o carro ligou entendi... nunca, na minha vida inteira, nem nos
meus shows de rock mais pesados eu tinha ouvido uma música tão alta!
Agora sim
eu entendia o porque que o Barbichinha falava tão alto. Devia ter a audição
comprometida pela quantidade de decibéis por metro quadradro daquele carro.
A música? Sertanejo. (Será que funk seria pior?)
Fui rumo a minha casa, como se derretendo no banco do passageiro, não sei
se de vergonha ou pela vibração do som.
Me lembro de roer minhas unhas nesse momento, como se buscando algo de
familiar naquilo tudo, como se buscasse algum prazer naquilo tudo, ou simplesmente porque aquilo tudo estava fora
do meu controle.
Mas o Barbichinha estava orgulhoso!
Chegamos na minha casa e ele quis por que quis guardar sua preciosadade
na minha minúscula garagem, onde já estava o meu carro.
Disse que não precisava, que já estava tarde, que eu agradecia e que ele
poderia ir... até outro dia, Querido Barbichinha.
Mas ele sismou.
De fato não queria ficar comigo... era nítido que tinha sido acometido de
um súbido pavor de levarem o “my precious” dele, mesmo que fosse por alguns
minutos na frente da minha casa.
Tanto Barbichinha fez, que eu, possuida por uma birra louca, ou pela
instabilidade emocional que o som dele tinha me causado, que disse:
“OK. Quero ver você fazer seu
carro entrar na minha garagem!”
Sim, quando nos vemos em situações bizarras, agimos da mesma forma!
O que se passou a seguir foi semelhante a colocar um Leão Africano da
Savana numa caixa de fósforos. Até a pequena mesa que tenho na caragem foi
parar no meio do quintal. A minha cachorra, que nunca tinha visto um carro como
aquele, latia desesperadamente como que dizendo: “NÃO CABE, NÃO CABE! JÁ É
APERTADO DEMAIS PARA MIM E O CARRO DELA. SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ???”
O carro não coube. Então Barbichinha finalmente entregou os pontos. Tirou
o carro da garagem, e depois dessa odisséia, se foi.
Assim. Desse jeito mesmo.
Nem me deu um beijo de despedida.
Me deu uma buzinadinha de
despedida, o que para ele deve significar muito.
Eu ali fiquei por alguns segundos parada, embasbacada, sem entender... um
enorme silêncio se fez presente. Até a cachorra não se manisfestou mais.
E eu sozinha, com o portão aberto na madrugada.
Depois de tudo, ele nem sequer havia me esperado fechar o portão?
Não soube mais do Barbichinha.
E até hoje me mantenho longe de carros rebaixados.
Madre mia, isso foi recente Jú?
ResponderExcluirAi amiga, só você!
Esse foi logo no comecinho da separação... rs! Só comigo mesmo!! rs!!
ExcluirMinha nossa desse eu não sabia....cruzes..rs
ResponderExcluirPeroba nele, né, minha filha? hahahaha
ResponderExcluirCara-de-pau totalmente!!! rsrsrs
Beijos, se puder, dá uma passadinha no meu blog, tb, ok?
Beijocas, saudades.