segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O SEM NOÇÃO


Este de fato merece esse codinome: O SEM NOÇÃO!
Conheci o Sem Noção porque sempre que eu saia de casa ele estava no bar da frente me olhando. 
Com o passar do tempo passou a me comprimentar, assim, de longe.
Foram algumas semanas nesse ritual.
O Sem Noção não era de todo mal.
Não faz meu tipo, mas quando não se tem unhas, não se exige muito também.
Afinal... porque condenar sem antes conhecer?
Ás vezes a pessoa pode acrescentar na sua vida, certo?
Errado. Nem sempre é assim.
Um belo dia, ou melhor, noite, já tarde da noite aliás, ouço um carro barulhento dando voltas e voltas no meu quarteirão.
Ele deve realmente ter dado voltas e voltas, porque eu demorei a perceber a insistência do motor barulhento.
Detalhe: ele tem o carro rebaixado! (Na verdade tinha, mas volto nisso mais tarde!)
O fato é que eu sai da varandinha e vi que era ele.
Não me fiz de rogada! (Acho que esse é um problema sério meu!)
“Vai ficar dando voltas no quarteirão até quando?”, perguntei.
Ele parou o carro e disse que queria me conhecer.
O Sem Noção é 10 anos mais novo do que eu. E naquele momento me disse não ter ninguém. E por ter 10 anos a mais que ele, fingi acreditar.
Ficamos conversando no portão.
Ficamos.
E então, por alguma razão bem sem noção, ele resolveu confessar que tinha sim namorada.
Sou do tipo antiquada neste quesito: Não fico com homens comprometidos.
Claro, isso já aconteceu, mas a maturidade tem lá suas vantagens.
E ser o outro lado da moeda não é nada, nada, nada agradável.
Então eu não fico. E deixei claro.
Nos despedimos com a promessa de sermos amigos.
Uns três dias depois o Sem Noção me ligou. Me chamou para tomar uma cerveja. Aceitei. Que mal poderia haver, já que tinha deixado claro para ele a minha postura?
Não sabia que ele se tornaria o Sem Noção.
Fomos tomar a cerveja e ele tentou me beijar. Ele tentou me beijar muitas vezes. Até que eu cansei e acabei a noite com uma terrível cara de mal humor.
Algum tempo depois eu acordo de madrugada com o Sem Noção me chamando na porta de casa. Acredito que deviam ser umas 4 da manhã. Estava mais mamado do que bezerro gordo. Como ele mora na mesma rua, falei com bastante clareza e com uma calma quase incomum que era tarde, que ele estava bêbado, e que ele deveria ir.
Como todo bêbado que se preze ele chorou.
Me contou que a polícia já tinha parado ele numa blitz, que por causa disso a namorada tinha ficado puta, que ele precisava dormir.
E eu, com minha gigantesca educação, disse que isso seria muito bacana da parte dele, já que ele estava a apenas alguns metros de sua casa.
Contrariado o Sem Noção foi.
E bateu o carro diretamente no carro do vizinho, acabando com ambos. Em menos de 200 metros ele destruiu dois caros!! (Viu porque o carro dele ERA rebaixado?)
Minha grande sorte foi que ao me despedir, entrei em casa e me joguei na cama. De forma que eu de verdade não ouvi a batida.
Um tempo depois ele voltou, para me pedir desculpas. Disse que tinha perdido a noção (imaginem vocês!) e que isso não viria mais acontecer. E como ele é o Sem Noção, tentou me beijar. Desta vez eu simplesmente despachei a oferenda!!
Acham que acaba por aí?
Não, meu povo! Ele é o Sem Noção!
Faz pouco tempo eu acordo as cinco da manhã com o Sem Noção batendo na minha janela, me chamando baixinho... “Ju... Ju... acorda, abre pra mim!”
Me levantei da cama sem entender. Perguntei quem era. Ele disse ser o sem noção que é. Eu expliquei pela janela mesmo que eram cinco horas da manhã, que eu estava doente e pedi que ele fosse embora.
Deitei em minha cama novamente, fechei os olhos... e quando estou quase domindo novamente eu ouço: “Ju... Ju... abre pra mim... sou eu!”
Levantei como um tiro. Sono e raiva juntos podem ser pior do que TPM, acreditem.
Corri até a porta da minha casa, chamei ele, que chegou cambaleando e a partir desse momento a vizinhança inteira deve ter descoberto que ele era um sem noção.
Dentro dos inumeros palavrões e baixarias que falei, disse também que chamaria a polícia.
Foi nesse momento que o Sem Noção se pôs a correr.
Mas correu de verdade.
Correu rápido e com os braços frouxos.
Foi como se o morto muito louco estivesse em uma maratona.
E deve ter ouvido os meus berros ainda quando estava entrando na casa dele.
Encontrei ele dois dias depois. O Sem Noção me abriu um sorriso.
E eu juro que não sabia que tinha aquele olhar. Mas foi tão fulminante que eu não consegui reproduzir depois no espelho.  Ele ficou até pálido.
Tomara que ele tenha alguma noção dentro da não noção dele!
E espero, de verdade, que esse seja o fim dessa história... sem noção!

2 comentários:

  1. KKK...Joselito mesmo Ju! Saudadesss de vcs! Fiquem com Deus. Bjão, te amo!!

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  2. Só comigo, né Clá?? Muita saudade de você também! Fica com Deus!!!
    Beijos e te amo!

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